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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Quem é Jesus parte 1 (o que você tem orado?) - por Alberto Oliveira

video

Escute as suas orações!
Primeiro: o que não é oração!

Qual é o nosso conceito de Jesus? Quem Ele é para nós? E o que somos nós para Ele e perante Ele? Qual é o nosso direito? Temos direitos? Para que preciso de Jesus? Porque Deus o enviou? Salvação inclui toda sorte de bençãos? Curas e prosperidade honram mais a Ele do que servos enfermos e pobres rendidos aos Seus pés? Destas respostas dependem o tipo de oração que fizemos.

É muito triste quando analisamos as pregações atuais. E o que são as orações dos fiéis, senão um reflexo das pregações? E as suas orações, você tem ouvido?
Você já parou para ouvir as orações feitas nas igrejas atualmente? Os extremos são gritantes! Se de um lado sobra indiferença e frieza, de outro abunda o desrespeito e irreverência.
Para uns, é algo tão distante, tão chato, tão "cerimonial" que usam de um vocabulário estranho ao seu dia a dia, fazem outra entoação de voz (que "mostra" o quão são espirituais), levam seus problemas para Deus de uma forma que parece que o Onisciente estava dormindo nos últimos dias e soltam uma "verbogia" furiosa.

Alguns substituem a vírgula pelas palavras Senhor, Deus, Pai entre outras. É mais ou menos assim: "Oh Deus, eu chego a Ti ó Pai, com reverência Senhor, para pedir, Deus maravilhoso, que interfiras, ó Senhor Jesus, nesta causa ó Pai. Sei Senhor, que Tu Senhor, És tremendo ó Pai, por isso Senhor..."

Talvez até não tenha erros teológicos, mas, é um pouco estranho falarmos assim com nosso Pai e Amigo. Pode parecer chato de minha parte, mas imagine você falando comigo assim: "E aí Beto, tudo bem Beto? Queria Beto, que você ó Beto, fosse a tal lugar comigo Beto. Sei Beto, que você gosta deste lugar Beto, por isso Beto, imaginei..."

Eu no mínimo acharia que você tomou algum medicamento muito forte, o que justifica este comportamento. Pior se você for meu amigo e ter intimidade comigo. Ah, mas alguns diriam, Deus merece respeito. Claro que sim, e o maior respeito é tratá-Lo com amor e demonstrar que você prestou atenção quando Ele disse: "Vós sereis meus amigos (..) mas tenho-vos chamado amigos" (João 15.14-15). Talvez esta é a chave: intimidade. Quem não tem intimidade fica intimidado em uma conversa.

Já do outro lado da moeda estão os triunfalistas. A estes falta respeito ao Senhor, pois este é o Soberano. Os triunfalistas são os que ordenam coisas ao Senhor. Como no vídeo acima, chegam ao Senhor para pedir, mas se demorar muito, a geração fast food larga mão, pois do outro lado da rua tem quem prometa todas as bençãos por algum valor ou sacrifício. Prostituíram tanto a Palavra que não se tem mais base bíblica para nada. Se de um lado temos pessoas querendo fazer trocas com Deus por "merecimento" através de dízimos, ofertas e jejuns - o que não passa do paganismo da teologia da Retribuição; por outro lado há os ateus, ou os que servem a deuses bem pequenos - não há como dar ordens a um grande Deus, ou exigir saúde bençãos dEle (teologia da Prosperidade).

Fico imaginando os Puritanos, ou os Valdenses vendo estes "cultos" onde se determinam coisas, onde se põe o Senhor "contra a parede", onde se profetizam bençãos. Tinha um outro nome na época para isto: Paganismo. Hoje, no relativismo ainda em alta no pós-modernismo, as igrejas estão mais sincréticas do que nunca.

As indulgências voltaram. Eu gostaria que a doce pessoa que deu a vida por mim, pagou ao Senhor o preço pelo meu pecado (e não ao diabo como insistem alguns), e está sentado no mais sublime Trono, não precisasse ouvir certas coisas. Gostaria para o bem de quem ora, que estas orações não fossem ouvidas. Ouvidas no sentido de atendidas ela não são. Mas, gostaria que o Senhor as ignorasse no sentido literal também. Aí está a questão: Muitos não ouvem o que oram. Esquecem que Deus ouve!

Segundo: o que deve ser a oração.

Talvez pareça agora que
vou me contradizer, mas quem tiver entendimento entenda. Citarei John Piper (Teologia da Alegria p140) para que eu não fale sozinho: "A insistência de Deus em que lhe peçamos que Ele nos dê ajuda para que receba a glória (Sl50.15) impõe-nos o fato surpreendente de que temos de parar de servir a Deus e tomar o cuidado especial de deixar que Ele nos sirva, para não roubarmos dEle a Sua glória (...) Ele quer receber a glória como doador (Mc10.45 o mostra como servo)".

Vamos entender. Quando nos deixamos orientar pela Palavra de Deus, mudamos o nosso pensar. Nossos interesses mudam de forma que se alinhem com a Sua glória. Isto por si somente já exclui pedidos de jatinhos e mansões com a desculpa que é para a glória de Deus, pois isso não passa de concupscência. Já exclui também as doutrinas triunfalistas, pois Paulo nunca determinou que seus apedrejadores parassem. Nem determinou um bote salva vidas em seus naufrágios. O próprio Jesus não chamou pelas legiões de anjos quando podia.

Mas se eu sou servo, como pode ser Ele servo? Ele já serviu como nosso Sumo sacerdote. Já serviu de exemplo em tudo. Já serviu como pagamento pela queda do homem. E promete servir nas Bodas (Lc 12.35-37). Agora a loucura do Evangelho: Quando deixamos nossa autoconfiança de lado, e O buscamos, Seu servir a nós glofifica Seu Nome e nos põe na posição de dependentes. Nosso servir a obra se atrela a isso. Segundo Piper: "A oração é o antídoto da auto-confiança (...) portanto, servimos pelo poder que vem pela oração, quando servimos para a Glória de Deus."

Deus não faz trocas. Não é por nosso "merecimento" que o comovemos. Não é por nossas "ordens ou decretos" que Ele se move. Não são com palavras repetidas, autoritárias e irreverentes que alcançaremos algo. "A maneira de servir a Deus de modo que Ele receba a glória é olhando para Ele para receber misericórdia" - complementa Piper. Nossa oração deve ser pelo mesmo caminho. Chegamos a Ele clamando por misericórdia. Chegamos humildemente e mostramos quão necessitados e carentes somos de Sua misericórdia e amor. Nossa dependência dEle O glorifica. Tomás de Bradwardine, no século XIII lapidou esta pérola: "O que ele (pecador) tem merecido? Quando ele exigir justiça, receberá punição e quando pedir misericórdia, receberá graça." Nos achegamos a Ele também e principalmente para nos adequarmos a Sua vontade e vencermos o momento em que Ele permitiu estarmos. Jesus fez essa oração, antes que me critiquem. Ele pediu para que o cálice fosse afastado. Mas declarou que: "todavia não se faça a minha vontade, mas a Tua" (Lc 22.42). Deus é soberano e está sempre no controle. Ricardo Gondim discorda questionando como Deus no controle permitiu um Hitler, um Stalin. Justo por isso, Ele permitiu. Se eu discordar desta linha de pensamento, teria de discordar da Sua Palavra. Teria de aceitar que Deus foi "pego de surpresa". Finalizando, C. S. Lewis dizia que: "As minhas (suas) orações não mudam a Deus, mudam a mim (você) mesmo".

ôste echthros umôn gegona alêtheuôn umin? - Gl 4.16

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