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O desafio das questões externas à Igreja
Há um desafio no campo das idéias e propostas em voga: a) o secularismo hedonista, com o seu consumismo e a busca frenética de bens materiais e status; b) a “religião civil”: reduzida aos ritos de passagem (batismo, casamento, enterro, inaugurações, colações de grau) e a “moral social”, descarnada de transcendência e de discipulado; c) o fanatismo dos fundamentalismos e dos misticismos, expressões doentias e perigosas da experiência religiosa.
Qual será a nossa contribuição para a civilização, com a crise dos paradigmas da modernidade: bondade natural, progresso, razão e utopias globais?
O desafio da nova (des)ordem internacional
O fim da Guerra Fria (EUA versus URSS) em 1989 nos trouxe um cenário semelhante ao fim das Guerras Púnicas (Roma versus Cartago): o monopólio geopolítico e militar, um novo e ameaçador império, sem oponentes, deixando todo o mundo fragilizado e vulnerável às novas “legiões”. A opção unilateral dos Estados Unidos implica a não assinatura de qualquer tratado internacional que o submeta a organismos multilaterais. A chamada “doutrina Bush” afirma: a) os interesses dos Estados Unidos sempre em primeiro lugar; b) a definição pelos Estados Unidos do que é o “bem” e o “mal”; c) o direito aos norte-americanos de realizarem “ataques preventivos”; d) O direito dos norte-americanos à eliminação de pessoas, instituições, regimes e Estados que lhes sejam obstáculos. Declinam a soberania nacional e a soberania popular. Os governantes são apenas “gerentes confiáveis”, inclusive em choque com a opinião pública. A vinculação do império com o fundamentalismo protestante procura legitimar uma “missão civilizadora” (fé e império), com ameaça tanto para os infiéis (islâmicos, por exemplo), quanto para os hereges (cristãos patriotas não-fundamentalistas).
O desafio das realidades nacionais
São vários os desafios pela frente: a resistência de diversos países em defesa de sua autodeterminação e de sua autonomia cultural (equivale dizer, de suas identidades); a situação dos oprimidos e dos excluídos; a perda de direitos sociais; o lugar dos países e dos blocos regionais na nova (des)ordem. No caso brasileiro, temos as limitações, os compromissos, os parceiros do novo governo federal e suas contradições, ambigüidades e reticências; a participação de novos aliados (ex-adversários), o “esquecimento” dos aliados históricos, a cooptação de quadros dirigentes, a despolitização do debate em torno de um projeto nacional, a desmobilização das bases, o tecnicismo, o “realismo”, o abandono de teses históricas e a repressão aos fiéis a essas teses. Aonde nos levará tudo isso? A um “salto de qualidade” ou a um novo capítulo da “circulação das elites” (Pareto)? E o que virá depois: populismo, ditadura ou “parceria com o império”?
Percebemos que o Senhor da História está levantando uma nova geração de convertidos comprometidos, disponibilizando-os com discernimento e poder, notificando-os dos riscos do martírio. Uma geração com maior liberdade epistemológica e maior abertura temática, crendo que “um mundo novo é possível” e que “uma Igreja nova é imprescindível”. Uma Igreja disposta a fazer história e devolver esperanças, marcada pela coragem e não pelo medo. Aberta ao que de bom vier de quaisquer correntes, mas disposta a denunciar e a se afastar do mal nelas contido.
À nova FTL, aos novos militantes da teologia da missão da igreja resta pela frente a única tarefa que cabe aos cristãos: “mudar o mundo” (Finney). Conseguirão? Permanece válido o pensamento: “É melhor se arriscar fazendo, do que não errar por não fazer”.
Dom Robinson Cavalcanti é bispo da Diocese Anglicana do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política – teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo – desafios a uma fé engajada.
www.ieabrecife.com.br
Fonte: Ultimato
Ave Crux, Unica Spes!
APARIÇÃO
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A flor no chão
As réstias de sol
Nas frestas das árvores
Tuas sedas mansas
Que arrastam folhas
Teu perfume brando
Que no ar se espalha
Onde o t...



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