Reflexão sobre o texto de Mateus 16.15,16
“E vós, quem dizeis que eu sou?” Esta pergunta ecoou nos ouvidos dos apóstolos de Jesus durante uma conversa, na região de Cesaréia a respeito da pessoa do Cristo.
Jesus começou indagando sobre o pensamento dos homens, talvez para que fizesse uma propositada comparação entre o que os homens pensavam acerca Dele e como os seus discípulos o viam. A resposta que os discípulos deram sobre o pensamento dos homens, era resultado de prováveis discursos realizados por Jesus: “Uns dizem, Joäo o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas.” A visão que os homens tinham de Jesus era correta, não estava errada, mas era incompleta. Jesus é realmente um profeta, seu discurso era de profeta, suas palavras eram de profeta, suas obras eram de um profeta, mas isso é pouco para dizer que é o “Filho do Homem”.
Muitos atualmente dizem ser Jesus um grande mestre, ótimo mestre, aquele que usava a metodologia do exemplo para ensinar, e esses também estão certos; Jesus é um grande mestre, o melhor exemplo a ser seguido, aquele que trouxe grandes ensinos à humanidade; porém esta também é uma visão incompleta de Jesus, Ele é mais do que isso.
Jesus, a partir de então, deseja comparar essas respostas com a de seus discípulos, os íntimos, aqueles que convivem com Ele de perto, e pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro, por meio de uma revelação divina, responde, com sua intrepidez peculiar: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” Esta é a imagem completa do Deus verdadeiro, Jesus é o Cristo, o Ungido de Deus, o mais desejado e aguardado de Israel e de toda a humanidade, mas Ele não é apenas o homem profeta e o homem mestre como muitos especularam, Ele também é o Filho do Deus vivo. Jesus é o próprio Deus encarnado.
Muitos de nós, cristãos evangélicos ou não, também estamos hoje diante desta mesma pergunta que Jesus fez há muito tempo atrás. Embora as circunstâncias atuais não sejam as mesmas, devemos levar em conta que também criamos “imagens” de quem é Jesus e nos apegamos a elas como se fossem a verdade a respeito do Cristo. Fantasiamos ou esperamos que Ele faça algo por nós, e passamos a acreditar que Jesus é assim. Muitos entendem e esperam que Jesus seja o Deus da provisão e ficam paralisados diante dessa imagem e não estão dispostos a conhecer, de fato, quem Ele é. Outros crêem que Ele é o Deus das riquezas e ficam nisso, sem procurar saber o que a Bíblia revela acerca do Cristo. Existem ainda aqueles que fazem uma imagem do Deus dos sinais e maravilhas e se apegam apenas nisso, se esquecendo que Jesus é maior do que tudo isso. Tantas outras são as imagens que criamos a respeito do Filho do Homem.
A partir dessa figura que elaboramos Dele, nós O adoramos e desejamos ser atendidos em tudo que se encaixe no ideal que criamos do Filho do Homem. Ou seja, adoramos a “imagem” que Dele fizemos, em vez de adorar àquele que está revelado nas Sagradas Escrituras. Pedro recebeu uma revelação acerca de Jesus, nós temos esta revelação completa e não procuramos conhecê-la.
Precisamos buscar mais o Jesus da Bíblia, conhecer quem Ele realmente é, pois o que temos visto ultimamente é um Jesus mutilado pelos seus próprios “seguidores”, um Jesus composto de meias verdades, um Jesus sendo anunciado pela metade, com características que às vezes são verdadeiras, mas incompletas a respeito do Cristo, que por sua vez, acabam distorcendo a imagem real do Filho do Homem.
“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” Esta é a resposta que preenche as necessidades do homem, esta é a Palavra completa, esta é a revelação que o Pai trouxe para nós, a fim de não sermos enganados por falsos ensinamentos. Este é Jesus, o que traz a vida eterna aos homens, mas traz a condenação aos que não crêem. É o que ama, mas não abre mão da justiça. É o que perdoa, mas corrige ao filho que ama. É o que tem misericórdia, mas não compactua com o pecado do homem. É o que é tolerante, mas resiste as ideias enganosas do homem. Chega da imagem de um Jesus pelas metades, esquartejado por enganadores que não buscam conhecê-Lo.
“E vós, quem dizeis que eu sou?” Precisamos nos decidir: se estamos adorando e pregando ao Cristo verdadeiro, ou a imagem que Dele criamos.
Prof. Héber Simey, pastor na Igreja Missionária Volta de Cristo em Ribeirão das Neves - MG, Bacharel em Teologia pelo Sebemge/ Hokemãh. Graduando em Normal Superior pela UFMG e em Filosofia pela Newton Paiva/ COC. Professor no Sebemge e no Seminário Koinonia em Belo Horizonte, Setesc em Blumenau e professor de Ensino Fundamental e Educação Infantil. (texto escrito em homenagem ao primeiro ano do Blog Ecclesia Reformanda, do meu amigo Alberto, como um desabafo em forma de texto, a fim de alertar os que foram chamados pela soberana vocação de Deus, antes da fundação do mundo. Parabéns pelo Blog, Beto!)
Ave Crux, Unica Spes!



5 comentários:
Poxa, um artigo do Prf. Heber é algo muito bem vindo. Parabéns novamente.
Tem um tempo que não vejo o Heber, voce tem noticias dele?
Leo
Só falo com ele por email.
Eu iria a BH em nov, mas o dinheiro não me permite...
Abraços
Beto
Parabéns pelo seu blog, muito bem elaborado. Obrigado pelo comentário postado em meu blog www.teologiacomcafe.blogspot.com, e este texto do Héber dispensa comentário, primeiro pelo conteúdo, e segunda pela figura que ele é. Tenho o privilégio de servir ao Senhor no ensino do curso Koinonia. Abçs.
Obrigado pelo comentário postado em meu blog (www.teologiacomcafe.blogspot.com). Gostei muito do seu blogg também, ainda mais com um texto do Héber, que por sí só dispensa comentários, primeiro pelo conteúdo e segundo pela pessoa. Sirvo ao Senhr junto com ele, na área de ensino no curso Koinonia.
Abçs.
Olá irmão \Neemias.
O que é isso, não precisa agradecer não, só faltou o café aqui no escritório - pois seu blog é bom demais, sô - e o Héber e eu em pouco tempo criamos uma amizade ímpar...
Abraços e vamos caminhar juntos
Alberto Oliveira
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