Em comemoração ao primeiro ano do blog Ecclesia Semper Reformanda Est, reuni alguns textos, de professores e colegas do seminário, com o tema livre, paraque possamos aprender juntos e mais de algumas mentes cristãs pensantes (expressão que infelizmente soa contraditória na igreja pós-moderna). Este é o primeiro de dois textos que fazem parte da dissertação de Mestrado do pastor e professor Marcelo de Oliveira. Aproveite:
A partir da idéia da grande comissão de Jesus aos discípulos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15) é que se entende a pregação. Atender a essa demanda é a missão mais sublime que alguém possa almejar: “Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas” (Is 52.7).
Pregação cristã: kérygma e critério
O conteúdo dessa pregação não é outro senão o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Trata-se do kérygma (a mensagem pregada), proclamação da salvação cristológica. Salvação que os profetas indagaram e inquiriram quanto à ocasião de seu cumprimento, e os anjos almejaram perscrutar (cf. 1Pe 1.10-12). O termo grego kérygma aparece oito vezes no Segundo Testamento, duas delas acerca da pregação de Jonas (cf. Mt 12.41 e Lc 11.23). As outras seis ocorrências envolvem a proclamação do evangelho (cf. Rm 16.25; 1Co 1.21; 2.4; 15.14; 2Tm 4.17 e Tt 1.3) e são enfatizadas a morte e a ressurreição de Cristo, com todas as implicações teológicas.
As Escrituras Sagradas dão testemunho de si mesmas, tanto como veículo quanto como conteúdo, de que Deus falou muitas vezes aos seres humanos e de muitas maneiras. No Primeiro Testamento, falou aos pais, pelos profetas; no Segundo Testamento, pelo Filho, Jesus (cf. Hb 1.1). Todavia, muitas vozes ressoam pelo mundo, tentando imitar a voz de Deus e apresentar um outro evangelho (cf. Gl 8,9). Repete-se o que as primeiras comunidades, às quais os evangelhos se destinavam, já experimentavam: muitos falsos cristos e falsos profetas surgiriam (cf. Mt 24.24).
Falar em nome de Deus parece fascinar a muitos, que, para se passarem por seus mensageiros, chegam a mentir. O Primeiro Testamento era categórico quanto ao cuidado que se deveria ter com os oráculos divinos. Punidos seriam todos quantos falassem em nome de Deus, sem que Deus os houvesse mandado falar. Deveriam morrer (cf. Dt 18.20).
Combater os falsos profetas que se infiltram no meio do povo de Deus não é tarefa fácil. Paulo empenha-se nesse combate e se sente como que no meio de feras (cf. 1Co 15.32). Defende seu apostolado, apresentando-se como alguém que pregava da parte do próprio Deus, com sinceridade. Procurava provar que não era como tantos outros que mercadejavam a palavra de Deus (cf. 2Co 2.17) e afirmava: “Alguns pregam a Cristo por inveja e rivalidade; outros, porém, o fazem com boa intenção” (Fp 1.15).
O privilégio do kérygma se faz acompanhar da responsabilidade para com a ortodoxia. Ser considerado ministro de Cristo e “despenseiro dos mistérios de Deus” eram duas das principais atribuições de um pregador (cf. 1Co 4.1). E o critério para se avaliar a performance dos ministros era a fidelidade com o kérygma (cf. v.2). Entende-se, assim, que a pregação da Palavra deve-se pautar pela sintonia com a vontade de Deus em favor da humanidade, “a quem ele quer bem” (cf. Lc 1.14).
Fonte: arquivo pessoal, dissertação de Mestrado do pastor e professor Marcelo Rodrigues de Oliveira, apresentado na FAJE (Teologia da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia), sob o título de Retribuição e Prosperidade: Gênese, Percurso Histórico e Confronto com a Teologia da Graça. Publicado em: FAJE (para lê-lo inteiro clique no link).
Ave Crux, Unica Spes!



2 comentários:
Alberto,
Parabéns pelo aniversário do blog, que tem trazido um conteúdo edificante nas postagens.
Abraço.
Obrigadão Juber.
Fico honrado e agradecido. Com muito temor e humildade, tento fazer com que uma teologia mais sudável - aliada com uma ortopraxia surja no cenário nacional. Minha contribuição é hiper-modesta, mas a multiplicação poderá concretizar...
Abraços
Alberto
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