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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Série Aniversário 1 ano Ecclesia Reformanda: Descaracterização da pregação cristã - continuação- por prof Marcelo de Oliveira


Em comemoração ao primeiro ano do blog Ecclesia Semper Reformanda Est, reuni alguns textos, de professores e colegas do seminário, com o tema livre, paraque possamos aprender juntos e mais de algumas mentes cristãs pensantes (expressão que infelizmente soa contraditória na igreja pós-moderna). Este é o segundo (LEIA AQUI O PRIMEIRO) de dois textos que fazem parte da dissertação de Mestrado do pastor e professor Marcelo de Oliveira, apresentado na
FAJE (Teologia da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia - BH), sob o título de Retribuição e Prosperidade: Gênese, Percurso Histórico e Confronto com a Teologia da Graça. Aproveite:

Descaracterização da pregação cristã


Entre os que se ocupam da pastoral cristã, há convergência na percepção de que se observa certa descaracterização quanto ao perfil do pregador e à mensagem pregada no que tange aos moldes cristãos tradicionais, principalmente em algumas igrejas neopentecostais. Tal desvirtuamento, no entanto, não se dá na modernização ou atualização da comunicação das mensagens, principalmente da comunicação midiática, tão necessária na contemporaneidade. Trata-se, sim, de uma forma de dilapidação no conteúdo teológico e doutrinário do kérygma.


Essa descaracterização dá-se através de práticas ministeriais e litúrgicas neopentecostais, no mínimo controvertidas, bem como ensinos polêmicos. As formas como expressam a fé são questionado, tanto teológica quanto pastoralmente, pelas igrejas evangélicas históricas e outras instituições religiosas cristãs preocupadas com a ortodoxia, e também pela imprensa.


A título de exemplo, em seu livro, A Libertação da Teologia, Edir Macedo procura desmoralizar todas as tentativas feitas pela Igreja Cristã, ao longo da sua existência, de compreender logicamente e sistematizar o ensino cristão como encontrado nas Escrituras[1].


Algumas vezes, percebe-se que é pela falta de uma racionalidade teológica que organize de forma coerente o que se crê, que muitos fiéis, confusos, apegam-se, sem reflexão, a promessas mirabolantes anunciadas através das pregações neopentecostais

.

A descaracterização da pregação cristã que se entende presente no discurso da Teologia da Prosperidade das igrejas neopentecostais será analisado a seguir em três pontos: 1) a negação do kérygma em função do marketing de crescimento; 2) a negação do ensino em função da satisfação das necessidades humanas; e 3) a negação da Teologia da Graça.


A pregação como marketing de crescimento


O crescimento quantitativo tornou-se obsessão entre muitas igrejas locais que, para alcançá-lo, deixaram de proclamar o evangelho na sua simplicidade para divulgar técnicas terapêuticas, estratégias de marketing e atividades de entretenimentos. O espetáculo religioso ganhou destaque em muitos púlpitos, em proporções quase circenses de cor, luz, brilho e muita mágica. Considerando que o que atrai grandes públicos é ouvir mensagens que não entrem em conflito com os valores da cultura vigente, muitos líderes religiosos relativizam, sem culpa, os princípios cristãos, pois compreenderam que insistir nos valores cristãos é oneroso e não dá ibope. Assim, muitos pregadores adaptaram suas mensagens para se transformarem em produtos vendáveis, reduzindo-as a um evangelho de auto-ajuda: auto-estima, saúde e prosperidade. Não há fiéis, há consumidores. A fé cristã verdadeira é aquela que funciona e pode ser utilizada para alcançar certos fins.


O lamento do apóstolo Paulo com respeito àqueles que buscam produzir um evangelho palatável que não provoque suscetibilidades e agrade a gregos e troianos, o qual, certamente, pela perda de sua radicalidade não é o de Cristo, é adequado diante do quadro que se verifica:


Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. Mas ainda que nós ou um anjo dos céus pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! Como já dissemos, agora repito: Se alguém lhes anuncia um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado! Acaso busco eu agora a aprovação dos homens ou a de Deus? Ou estou tentando agradar a homens? Se eu ainda estivesse procurando agradar a homens, não seria servo de Cristo (Gl 1:6-10).



A distorção da mensagem evangélica através de discursos desviantes decorre do abandono da verdadeira fé (cf. 1Tm 4.1). Pregadores que promovem a descentralização de Cristo na vida da igreja, com a finalidade de alcançar o crescimento acelerado de suas igrejas num espírito competitivo com outros líderes dão mostras de conhecer gestão estratégica e as modernas técnicas empresariais, não o kérygma. Crescimento numérico não significa, necessariamente, edificação da Igreja.


É patente que boa parte do crescimento de algumas igrejas e movimentos se faz às custas da migração interna e movimentos de fiéis no interior do próprio cristianismo. A euforia de muitos líderes religiosos se deve, na verdade, ao crescimento numérico de suas igrejas e denominações e não à edificação da Igreja ou do amadurecimento na fé. A bem da verdade, os censos religiosos em todo o mundo apontam que não é o cristianismo que tem apresentado crescimento significativo na última década. Entre as grandes religiões, é o islamismo que tem crescido mais[2].


Considerando que a pregação nos moldes evangélicos é a proclamação das boas novas de salvação aos perdidos, em que Cristo é apresentado como Senhor; e que o ingresso no seu reino implica em exigências éticas e de justiça (cf. Mt 7. 22,23), pode-se concluir que a mensagem da Teologia da Prosperidade destoa fortemente da pregação cristã.


[2]Cf. MACEDO, E., A libertação da teologia. Rio de janeiro: Editora Gráfica Universal, 1993, p.42.


[2] Disponível em: <http://www.portasabertas.org.br/noticias/noticia.asp?ID=1903> Acesso em: 09 Mar 2006.




fonte: arquivo pessoal, dissertação de Mestrado do pastor e professor Marcelo Rodrigues de Oliveira, apresentado na FAJE (Teologia da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia), sob o título de Retribuição e Prosperidade: Gênese, Percurso Histórico e Confronto com a Teologia da Graça. Publicado em: FAJE (para lê-lo inteiro clique no link).

Ave Crux, Unica Spes!

2 comentários:

Anônimo disse...

Gostei muito da matéria!!!
Infelismente a Igreja tem se corrompido e povo neopentecostal só pensa nas campanhas para buscar algo menos a santificação...vale até jejum de café, chocolate, coca cola, etc...
Sem contar com a unção da bicharada...e tem gente que diz que não podemos duvidar do poder do esp. santo em fazer as pessoas ficarem de quatro imitando leão e outros bichos mais!
Ainda existem uns loucos por aí que querem confundir a cabeça dos servos de Deus dizendo que Natal é uma época depressiva, que a árvore de Natal é pecado, a guirlanda é a coroa de espinhos de Jesus, que papai Noel tem o mesmo demônio do rei momo do carnaval...
Coisas que envergonham o evangelho...
Gostaria e pedir ao amigo se pudesse fazer uma matéria sobre essa questão do Natal dismistificando tudo isso, eu lhe agradeceria pois ainda existe muita gente sendo contaminada por essa mentirada por esse movimento que bem sabemos quem são!
Um abraço,
Ivelise

Alberto M. de Oliveira (Betochurch) disse...

Olá Ivelise.
Muito obrigado pela visita e pelas palavras.
Vou ver se posto algo sobre o Natal sim.
Abração
Alberto

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