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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Especial Reforma, Terceira parte: Necessidade de uma Reforma no Brasil - por Alberto Oliveira

Especial Reforma Protestante 492 anos

Quarta parte: Necessidade de uma Reforma no Brasil


“Assim diz o SENHOR: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos nele.” Jeremias 6.16


Nosso país não conheceu o impacto da Reforma, isso é fato. Aliás, as multidões que adentram semanalmente os vários templos cristãos, em sua maioria, ignoram os princípios da Reforma. Em sua busca pela resolução de seu problema, pelo antropocentrismo, pelo imediatismo do já (deve-se frisar que é o que é oferecido a eles), “comem pão azedo” que já fora rejeitado por Lutero e outros reformadores.


Após o ataque inicial a Igreja feito pelo pós-modernismo, relativismo e individualismo, observamos agora o desenvolvimento deste último. Surge a geração do “cada um na sua, mas com alguma coisa em comum (1)” que nomeou e norteia a fase das tribos. Nascemos para viver em comunidades, mas o ataque das filosofias egocêntricas empurrou o mundo ao isolamento individualista. A partir daí “os diferentes, mas iguais” se juntarem em tribos foi um pulo. Uma boa definição das tribos modernas é feita por André: “A tribo é, por natureza, um ajuntamento de ovelhas desgarradas, o ponto de convergência de solitários desfamiliarizados que buscam sobreviver à queda do ninho (2)”. Concluo dizendo que, infelizmente, muitas igrejas são ajuntamentos de pessoas feridas e machucadas, egocêntricas, buscando um alívio e um produto comum (as bênçãos) estando dispostas a negociarem com Deus para obtê-las e sentirem-se bem.


Shaw diz que: “Este pensamento de ‘sentir-se bem’ gera um consenso muito pequeno. O que produz milhares de ideologias do tipo ‘eu primeiro’, isoladas de qualquer verdade comum significativa ou de valores compartilhados” (3). Devo salientar que o princípio bíblico da comunhão da Igreja e sua atuação prática estão na UTI. O individualismo evoluiu para um tribalismo radical nos anos 90 segundo Shaw (4). Seu foco atual (maioria das igrejas) é semelhante a uma associação de pessoas “credoras” de Deus, que se juntam nos finais de semana e nas “correntes” para reivindicar “seus direitos”, alcançados com oração, fé, confissão positiva, profecia, jejuns, e ofertas. Complemento citando Shaw: “Facções, consumismo espiritual e a ênfase no pensamento do ‘sentir-se bem consigo mesmo’ são as subculturas produzidas dentro da Igreja que parecem refletir os valores do pós-modernismo, mais do que do Evangelho (5)”.


Em seu livro, André (6) enumera 10 características da ação do pós-modernismo dentro da igreja: “1 (o indivíduo) participa de uma igreja, mas é infiel ao grupo; 2 não possui ela nenhum com seus antepassados de fé; 3 age movido apenas por sentimentos; 4 não se preocupa em buscar coerência entre as coisas que crê; 5 é desconstrutivista bíblico; 6 faz de tudo para ter divertimento; 7 adora novidade; 8 procura apenas o que serve para lhe satisfazer os desejos; 9 acredita que possui em si mesmo um poder divino capaz de obrigar tudo e todos a cumprir suas ordens; 10 seu maior objetivo é prosperar em tudo.” Talvez você enxergue algumas destas características em sua comunidade ou em sua vida. Talvez o negar a nós mesmos, tomar a nossa cruz todos os dias e seguir os passos de Jesus (7) deva ser restaurado.


Com o modelo sociológico e filosófico definido pelo pós-modernismo (8) devemos buscar formas de quebrar a barreira do individualismo, do relativismo, e do pluralismo e da falsa comunhão tribalista que apregoa uma diversidade em agenda não bíblica. Certa feita, Bonhoeffer ouviu algumas críticas contra a Igreja e disse: “Nesse caso, precisarei reformá-la (9)”. Mas isso regado a amor, nas Palavras de Guthrie: “Como podem esperar (os da igreja) que aqueles que estão do lado de fora fiquem impressionados com suas palavras sobre o amor cristão, se eles não querem e são incapazes de demonstrá-lo até mesmo em sua própria comunidade” (10). Ao que complementa André: “Livres para amar, ficamos independentes do sistema satânico que vigora. Independentes deste sistema, testemunhamos com poder da graça divina através de atos e palavras. No testemunho, glorificamos a Deus por Ele ser quem é e isso torna público o Seu caráter amoroso, o evangelho se projeta com arrojo das cinzas e escombros do mundo e estabelece uma realidade superior: o reino do céu” (11).


Façamos nossa as palavras de Bonhoeffer, vamos reformar a Igreja. Voltar a Bíblia, como regra de fé – e que isto não seja apenas um chavão reformado. Com muito amor devemos fazer uma leitura sadia da bíblia, das confissões históricas e sem perder o foco do conteúdo, buscar contextualizar e tornar nossa mensagem cristã relevante e prática dentro da necessidade do povo (e não de seu puro desejo). Ou seja, ovelhas que precisam de pastor (12), cegos que precisam de guias (13), presos que precisam de visita, nus que precisam de vestes (FÍSICAS), famintos que precisam de pão (FÍSICO), enfermos que precisam de visitas (14), entre outros. Em todas estas atitudes há salvação. Cristo nosso salvador participa em nós destas ações e cabe ao Espírito Santo dar fé e convencer os pecadores que há algo melhor. A nós cabe demonstrar este melhor.


Continua...


(1) Slogan do cigarro Free, final dos anos 80;

(2) Marco André – Incômodo, pg 123;

(3) Mark Shaw – Lições de Mestre, pg 227;

(4) Idem, pg 229;

(5) Ibdem;

(6) Marco André – Incômodo, pg 80-82;

(7) Lc 9.23;

(8) Tulio Jansey, Filosofia e Teologia no século XXI, pg 84;

(9) Eberhard Bethge – Dietrich Bonhoeffer pg 22, citado por Mark Shaw – Lições de Mestre, pg 231;

(10) Shirley C. Guthrie - Sempre se Reformando, pg173;

(11) Marco André – Incômodo, pg 129;

(12) Mc 6.34;

(13) Mt 15.14;

(14) Mt 25.35-36;


Veja: Primeira parte: Necessidade de aprender e relembrar;

Segunda parte: Ausência de uma Reforma Tupiniquim;


Ave Crux, Unica Spes!

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