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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ecclesia Semper Reformanda Est - 1 Ano


Com muita alegria é que chegamos ao nosso primeiro aniversário. Parece que foi ontem, quando meio sem jeito fiz o primeiro post. Louvado seja sempre o nome do Senhor, que me abriu esta porta de comunicação, e me capacitou a ser mais uma voz a louvá-Lo e a defender Sua Palavra e o reto proceder (ortodoxia, ortopraxia). Neste texto comemorativo, coloquei links das principais postagens deste ano. Clique e confira.

Devo tudo, mas tudo mesmo ao meu Senhor e Salvador, Aquele que me escolheu e me justificou, Aquele que se entregou por mim - meu Jesus amado.

Devo também a minha esposa, que tem me apoiado e dado suporte no blog. Devo a minha mãe, que além de me ensinar (ao seu modo) no caminho do Senhor, também me apoia. Devo aos professores e pastores do Setesc, em especial ao Moris (não o Cerullo, amém?) pela iniciativa. Devo aos pastores Geraldo e Cristina, por iniciarem o Setesc. Devo aos pastores e professores: Sidney e Regina Sanches, Fabio Bauab, Heber Simey e Rodrigo de Aquino, pois abriram o meu horizonte com suas indicações de livros e apoio. Devo um pouco a mais ao Aquino, que me instigou a criar um blog. Devo também aos meus pastores de minha igreja Haroldo e Arlene, Jaci e Rosane. Devo ainda aos professores Ismael dos Santos, Fernando,
pr Luiz; aos meus amigos: Filipe, André (gaúcho) Oliveira, André, Gianna, Carmen. Vocês são presentes de Deus para mim. Se deixei alguém de fora é porque os trinta anos estão pesando e o sono está atrasado. Sintam-se todos abraçados.

Devo a você leitor, você seguidor (até o momento 318), você que acompanha por email, você que vota nas enquetes (média de 80 votos por enquete). Que este blog continue servindo de instrumento de alerta e edificação. Continuem dando sugestões, criticando, pois ao contrário dos pastores que não gostam de críticas, ela me é bem vinda. Com ela eu cresço, e se necessário, mudo. Esta é a postagem de número 216 (com cerca de 180 comentários feitos no blog - e mais de 600 através do UBE e uns 300 por email).

Neste ano vimos com pesar a tragédia de Novembro (2008). Enchentes e desabamentos assolaram SC. Muitas mortes. Muita baboseira dita. A solidariedade do Brasil, o exemplo de quem não se espera e o abuso de uns. Foi até "pedido" aos ministros de louvor para parar de pedir chuva. Enquanto uns políticos pediam ajuda a entidades, cristãos de renome diziam que enchentes, quedas de avião e outros, são castigos pelo pecado (que Deus estranho o deles). Acompanhamos a crise mundial e alertamos a sobriedade nestes tempos. Vimos também a repercussão do aborto de uma menina de 9 anos, estuprada e grávida de gêmeos.

Vimos as maiores loucuras no meio evangélico (intitulado gospel): Nudismo gospel, macumba gospel, porno gospel, novas formas de evangelização (como por exemplo transar com o evangelizado). Vimos o sionismo sendo absorvido pelo cristianismo. Vimos sobre "políticos que se convertem" perto das eleições. Sobre auto-intitulado apóstolos. Sobre como é fácil ter "diploma de apóstolo". Sobre coisas que são demonizadas pela "piedade de guerra espiritual" de alguns. Vimos o "enobrecimento" da ignorância teológica. Como está distante a expressão pastor-professor de nossos dias. Sua consequência, com os mais variados erros: "mesa preta", óleo do "impossível", enfim - heresias e estranhezas a granel. Como a teologia deveria ser levada a sério nas pregações!

Vimos um ano tumultuado na agenda gay. Seu combate por grandes homens e seu desenvolvimento pedófilo, seu contra ataque, sua investida nos quadrinhos infantis, sua perseguição a Rosângela Justino e ao Júlio Severo, gays que deixaram de ser gays, gays que casaram com benção "cristã", além do despreparo das igrejas em lidar com os convertidos.

Vimos a degradação da igreja no Brasil, e como muitos têm "ultrapassado" o Evangelho bíblico. Além dos R$900,00 que o pastor que diz que: "crítico não constrói nada!" - sendo ele mesmo um crítico, e criticando seus críticos; cair aos pés do dinheiro, vimos mais coisinhas do seu Edir, vimos a volta do seu Hernandes. Vimos mais uma "mega-igreja-coca-cola" chegar. Vimos como o tele-evangelismo está mais atrapalhando do que ajudando. Vimos mais um tele-evangelista herege e procurado pela polícia de seu país.

Vimos como determinadas teologias, principalmente a da prosperidade, que é uma maldição (não a prosperidade em si, mas a teologia feita sobre a prosperidade, vendendo Deus). Vimos que ênfase em crescimento é ruim, e que a missão deve ser integral. Vimos ainda que o muito conforto cristão pode ser uma cilada.

Vimos também como nosso discurso está longe da prática. Como gostamos de culpar o diabo (e os outros). Como o arrependimento foi colocado de lado (mas ainda é necessário). Ficamos neuróticos com certas coisas nas igrejas. Tem coisas que não aguentamos mais ouvir, como absurdos que fazem "em nome de Deus". Vimos que a religião não é boa, e não salva.

Vimos coisas boas também. Mostramos que muito do que é dito sobre o perdão, ou está errado, ou incompleto. Que os que estão em Cristo já foram perdoados. Falamos sobre a verdadeira adoração. Vimos que pode ser feitas igrejas com materiais recicláveis, e não só megas-templos. Vimos que Jesus está vivo. Aprendemos sobre regeneração. Como é preciosa uma gota do Santo sangue de Jesus. Vimos ainda a melhor atividade entre os domingos. Compartilhei com quem não tinha ou não conhecia um dos maiores sermões da história.
Além do devocional Não Temas, filho, começarei em breve outro, com o nome de "Semeando a Leitura", onde o foco é trazer uma leitura bíblica diária, com uma consideração (pequena: 2 ou 3 frases) sobre o verso do dia (infelizmente, para muitos, a única leitura bíblica do dia). Por motivo do aniversário, também estarei postando alguns textos (2 por semana) dos meus professores, e dos meus amigos de seminário.

Enfim, queremos mudar. Queremos nos mudar. Não podemos fazer festa pelos números. Queremos uma nova reforma. Ecclesia reformata, semper reformanda. Não no sentido de modernizar as coisas. Mas no sentido de fazer com que a igreja no Brasil volte a ser bíblica. Vamos continuar criticando os que querem enganar "os pequeninos", os que querem sua carteira e não seu crescimento. Vamos mostrar os erros, os acertos, e sempre apontar para o Autor e Consumador de nossa fé.
Conto com a sua ajuda, para que possamos ser agentes do Senhor nesta empreitada. E que Ele faça as coisas através de nós e não APESAR de nós.

Muito obrigado por tudo. Parabéns para você também. Soli Deo Gloria!

Ave Crux, Unica Spes!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Não temas, filho! Deuteronômio 31.6 - por Alberto Oliveira

“Sede fortes e corajosos, não temais, nem vos atemorizeis diante deles, porque o SENHOR, vosso Deus, é quem vai convosco; não vos deixará, nem vos desamparará. Deuteronômio 31.6


Moisés está proclamando o seu discurso de despedida. Ele próprio não entrará na Terra Prometida (1). Este é o quinto discurso, sendo que nos anteriores foi repassada a Lei, foi relembrada as misericórdias e os juízos do Senhor, as maravilhas que o povo viu e ainda as bênçãos e maldições decorrente da obediência (ou não) ao Senhor. Josué é designado a ser o sucessor de Moisés e tem como desafio liderar o povo. E o povo tem como desafio o obedecer ao Senhor, respeitar um novo líder e tomar a Terra Prometida.


Por que não temer? 1 porque o Senhor é nosso Deus; 2 porque Ele promete ir conosco e nunca nos deixar nem abandonar.


Aplicação: A ansiedade permeava o cotidiano do povo judeu. A proximidade da conquista e suas responsabilidades que vem junto; a obediência a Deus e o como se portar com o povo a ser dominado (ambos não cumpridos). Demorou muito para que confiassem em Moisés e agora terão Josué em seu lugar. Muitas vezes, nos encontramos em situações semelhantes com a proximidade do novo, começam os temores. Talvez um novo emprego, ou uma nova escola. Talvez um casamento ou uma vida nova longe dos pais ou cônjuges que partiram. Talvez um novo líder/patrão/professor. Talvez a perda de alguém querido. Talvez o ganho, ou a perda, de uma responsabilidade ou de uma liderança. Em Deuteronômio 28, Deus mostra bênçãos e maldições decorrentes da obediência (ou desobediência) a Lei. Depois das promessas de misericórdia decorrentes da aliança, há um verso que chama a atenção. O verso 15 do capítulo 30 diz: “Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal”. Quem é a vida, para nós hoje? Segundo a bíblia, o próprio Jesus É a Vida (2).


Dentre todas as lista de mandamentos a serem guardados, há o do verso de hoje: 1 ser forte – pois dependemos da força de Jesus e não da nossa; 2 ser corajoso – pois timidez não faz parte do Reino de Deus, e não nos é dada timidez, ao contrário, espírito de ousadia (3); 3 Não temer – pois o medo nos encolhe diante dos problemas, nos faz esquecer quem É o Senhor, e como Ele é Grande; 4 não se atemorizar é sequência lógica, pois se acharmos que é pela nossa força que conquistamos as coisas, e não pela força do Senhor, criamos um limite, perdemos a coragem, começamos a temer os outros até chegar a um estado de pânico (ou seja – atemorizado). Podemos escolher entre a Vida (Jesus) ou a morte (ausência de vida – que gera medo). O bem (Sua companhia), ou o mal (o pânico que tem início no medo, e leva a desobediência). Jesus nos capacita, confie em Suas palavras. Ele vai com a gente, nunca nos deixará, muito menos irá nos desamparar. Esta promessa nos é refeita no Novo Testamento: “E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século (...) Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei. Assim, afirmemos confiantemente: O Senhor é o meu auxílio, não temerei; que me poderá fazer o homem?” (4).


1 Nm20.12; 2 Jo14.6; 3 2Tm1.7; 4 Mt28.20 e Hb13.5-6


Ave Crux, Unica Spes!

Deus concede o Espírito pelo ouvir da fé - por John Piper

A Bíblia nos ordena que nos enchamos do Espírito Santo: "Não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito" (Ef 5.18). Como vem o Espírito? Em Galatas 3.2, Paulo pergunta: "Recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?" A resposta, é claro, é: "Pela pregação da fé". Pregação do quê? Da Palavra de Deus!


O Espírito inspirou a Palavra, e por isso vai aonde a Palavra vai. Quanto mais da Palavra de Deus você conhece e ama, mais do Espírito de Deus você experimentará. Em vez de beber vinho, devemos beber o Espírito. Como? Deixando que ele controle a nossa mente: "Os que se inclinam para o Espírito, [cogitam] das coisas do Espírito" (Rm 8.5).


Quais são as coisas do Espírito? Quando Paulo disse em lCoríntios 2.14: "O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus", ele estava se referindo a seus próprios ensinos inspirados pelo Espírito (2.13). Por isso, antes de tudo os ensinos da Bíblia são as "coisas do Espírito". Bebemos o Espírito ao voltarmos nossa mente para as coisas do Espírito, especificamente a Palavra de Deus. E o fruto do Espírito é alegria (Gl 5.22).


fonte: Teologia da Alegria - Em Busca de Deus_ John Piper, ed. Sheed, p. 123.

Ave Crux, Unica Spes!
Keryssomen Christôn estauromênon - 1Co 1.23

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Lançamento do Livro Teologia da Missão Integral



Nossa querida irmã, pastora Regina Sanches, fundadora da FATE-BH (junto com seu esposo o dr Sidney Sanches, orientadora do Ceeduc- Joinville e do Setesc - Blumenau com um vasto currículo: Mestre em Teologia e Práxis, Mestre em Missiologia, e professora de Teologia; está nos brindando com o lançamento do livro: Teologia da Missão Integral.



A obra tem como subtítulo: História e Método da Teologia Evangélica Latino-Americana. Não li ainda, mas li vários artigos da Professora Regina, e com base neles, tenho certeza que será um texto de grande valia para a igreja brasileira, que ora peca pelo muito fazer sem ter raízes (quando deixa a teologia de lado), ora por dar primazia ao estudo em detrimento a prática (teólogos de gabinete). Em breve teremos novamente aula com ela, aqui em Blumenau, quando terei o enorme prazer de adquirir sua obra. Segue comentário do diretor do FTSA, prof Jorge Henrique Barro:

Não existe outra missão a ser realizada e desenvolvida na América Latina que não seja a integral. Na verdade o termo integral é uma redundância. A missão de Deus (missio Dei) é integral, pois contempla o todo do ser humano e universo. Porém, faz-se necessário colocar esse integral porque existem teologias que dicotomizaram o Evangelho, que deu preferências a determinados textos bíblicos chamados de missionários, como a Grande Comissão de Mateus 28:18-20 e Marcos 16:15. Nesse sentido, a Bíblia deixou de ser ela toda, o texto missionário. Isso pode ser visto nas ênfases chamadas de “bases bíblicas para a missão”. Extraem-se “certos” versículos ou passagens para dar uma “base bíblica” para a realização da missão. Isso, ao meu ver, é um desvio do que vem a ser a missão (integral) de Deus. Não precisamos buscar “base bíblicas para a missão” porque a Bíblia é o produto da missão de Deus. Ela existe apenas por causa da missio Dei. Essa é uma das conseqüências de não ler a Palavra de Deus missiologicamente.

Conforme a autora destaca, a Palavra de Deus tem primazia no movimento da Missão Integral. A teologia surge como um “ato segundo” (Gustavo Gutiérrez). Quem vem primeiro? A missão de Deus! Então a teologia é resposta ao agir de Deus. O que assistimos no desenvolvimento histórico das teologias, especialmente norte-atlânticas, foi à inversão desse processo: a teologia como fim em si mesma, tendo como interlocutora a filosofia. A sistematização teológica mata a missão. Aprendemos, especialmente com Orlando E. Costas, que teologia se faz a caminho, na encruzilhada. A missão é dinâmica e exige teólogos e teólogas que vão ao encontro dela bem no meio das sitz im leben (contextos de vida). Esse é o entendimento dos teólogos latino-americanos. Isso explica também a primazia da práxis na teologia latino-americana. A verificabilidade da verdade se dá na práxis e não apenas no conceito.

A leitura e reflexão desse livro certamente trarão benefícios à sua vida e fazer teológico. Desejo que você seja um instrumento nas mãos de Deus para a realização da missão integral. A América Latina está cansada de teologias que não produzem transformações. Aceite esse desafio! Seja um agente transformador a serviço da missão integral Deus ao mundo.

Ave Crux, Unica Spes!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Quem é Jesus parte 1 (o que você tem orado?) - por Alberto Oliveira

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Escute as suas orações!
Primeiro: o que não é oração!

Qual é o nosso conceito de Jesus? Quem Ele é para nós? E o que somos nós para Ele e perante Ele? Qual é o nosso direito? Temos direitos? Para que preciso de Jesus? Porque Deus o enviou? Salvação inclui toda sorte de bençãos? Curas e prosperidade honram mais a Ele do que servos enfermos e pobres rendidos aos Seus pés? Destas respostas dependem o tipo de oração que fizemos.

É muito triste quando analisamos as pregações atuais. E o que são as orações dos fiéis, senão um reflexo das pregações? E as suas orações, você tem ouvido?
Você já parou para ouvir as orações feitas nas igrejas atualmente? Os extremos são gritantes! Se de um lado sobra indiferença e frieza, de outro abunda o desrespeito e irreverência.
Para uns, é algo tão distante, tão chato, tão "cerimonial" que usam de um vocabulário estranho ao seu dia a dia, fazem outra entoação de voz (que "mostra" o quão são espirituais), levam seus problemas para Deus de uma forma que parece que o Onisciente estava dormindo nos últimos dias e soltam uma "verbogia" furiosa.

Alguns substituem a vírgula pelas palavras Senhor, Deus, Pai entre outras. É mais ou menos assim: "Oh Deus, eu chego a Ti ó Pai, com reverência Senhor, para pedir, Deus maravilhoso, que interfiras, ó Senhor Jesus, nesta causa ó Pai. Sei Senhor, que Tu Senhor, És tremendo ó Pai, por isso Senhor..."

Talvez até não tenha erros teológicos, mas, é um pouco estranho falarmos assim com nosso Pai e Amigo. Pode parecer chato de minha parte, mas imagine você falando comigo assim: "E aí Beto, tudo bem Beto? Queria Beto, que você ó Beto, fosse a tal lugar comigo Beto. Sei Beto, que você gosta deste lugar Beto, por isso Beto, imaginei..."

Eu no mínimo acharia que você tomou algum medicamento muito forte, o que justifica este comportamento. Pior se você for meu amigo e ter intimidade comigo. Ah, mas alguns diriam, Deus merece respeito. Claro que sim, e o maior respeito é tratá-Lo com amor e demonstrar que você prestou atenção quando Ele disse: "Vós sereis meus amigos (..) mas tenho-vos chamado amigos" (João 15.14-15). Talvez esta é a chave: intimidade. Quem não tem intimidade fica intimidado em uma conversa.

Já do outro lado da moeda estão os triunfalistas. A estes falta respeito ao Senhor, pois este é o Soberano. Os triunfalistas são os que ordenam coisas ao Senhor. Como no vídeo acima, chegam ao Senhor para pedir, mas se demorar muito, a geração fast food larga mão, pois do outro lado da rua tem quem prometa todas as bençãos por algum valor ou sacrifício. Prostituíram tanto a Palavra que não se tem mais base bíblica para nada. Se de um lado temos pessoas querendo fazer trocas com Deus por "merecimento" através de dízimos, ofertas e jejuns - o que não passa do paganismo da teologia da Retribuição; por outro lado há os ateus, ou os que servem a deuses bem pequenos - não há como dar ordens a um grande Deus, ou exigir saúde bençãos dEle (teologia da Prosperidade).

Fico imaginando os Puritanos, ou os Valdenses vendo estes "cultos" onde se determinam coisas, onde se põe o Senhor "contra a parede", onde se profetizam bençãos. Tinha um outro nome na época para isto: Paganismo. Hoje, no relativismo ainda em alta no pós-modernismo, as igrejas estão mais sincréticas do que nunca.

As indulgências voltaram. Eu gostaria que a doce pessoa que deu a vida por mim, pagou ao Senhor o preço pelo meu pecado (e não ao diabo como insistem alguns), e está sentado no mais sublime Trono, não precisasse ouvir certas coisas. Gostaria para o bem de quem ora, que estas orações não fossem ouvidas. Ouvidas no sentido de atendidas ela não são. Mas, gostaria que o Senhor as ignorasse no sentido literal também. Aí está a questão: Muitos não ouvem o que oram. Esquecem que Deus ouve!

Segundo: o que deve ser a oração.

Talvez pareça agora que
vou me contradizer, mas quem tiver entendimento entenda. Citarei John Piper (Teologia da Alegria p140) para que eu não fale sozinho: "A insistência de Deus em que lhe peçamos que Ele nos dê ajuda para que receba a glória (Sl50.15) impõe-nos o fato surpreendente de que temos de parar de servir a Deus e tomar o cuidado especial de deixar que Ele nos sirva, para não roubarmos dEle a Sua glória (...) Ele quer receber a glória como doador (Mc10.45 o mostra como servo)".

Vamos entender. Quando nos deixamos orientar pela Palavra de Deus, mudamos o nosso pensar. Nossos interesses mudam de forma que se alinhem com a Sua glória. Isto por si somente já exclui pedidos de jatinhos e mansões com a desculpa que é para a glória de Deus, pois isso não passa de concupscência. Já exclui também as doutrinas triunfalistas, pois Paulo nunca determinou que seus apedrejadores parassem. Nem determinou um bote salva vidas em seus naufrágios. O próprio Jesus não chamou pelas legiões de anjos quando podia.

Mas se eu sou servo, como pode ser Ele servo? Ele já serviu como nosso Sumo sacerdote. Já serviu de exemplo em tudo. Já serviu como pagamento pela queda do homem. E promete servir nas Bodas (Lc 12.35-37). Agora a loucura do Evangelho: Quando deixamos nossa autoconfiança de lado, e O buscamos, Seu servir a nós glofifica Seu Nome e nos põe na posição de dependentes. Nosso servir a obra se atrela a isso. Segundo Piper: "A oração é o antídoto da auto-confiança (...) portanto, servimos pelo poder que vem pela oração, quando servimos para a Glória de Deus."

Deus não faz trocas. Não é por nosso "merecimento" que o comovemos. Não é por nossas "ordens ou decretos" que Ele se move. Não são com palavras repetidas, autoritárias e irreverentes que alcançaremos algo. "A maneira de servir a Deus de modo que Ele receba a glória é olhando para Ele para receber misericórdia" - complementa Piper. Nossa oração deve ser pelo mesmo caminho. Chegamos a Ele clamando por misericórdia. Chegamos humildemente e mostramos quão necessitados e carentes somos de Sua misericórdia e amor. Nossa dependência dEle O glorifica. Tomás de Bradwardine, no século XIII lapidou esta pérola: "O que ele (pecador) tem merecido? Quando ele exigir justiça, receberá punição e quando pedir misericórdia, receberá graça." Nos achegamos a Ele também e principalmente para nos adequarmos a Sua vontade e vencermos o momento em que Ele permitiu estarmos. Jesus fez essa oração, antes que me critiquem. Ele pediu para que o cálice fosse afastado. Mas declarou que: "todavia não se faça a minha vontade, mas a Tua" (Lc 22.42). Deus é soberano e está sempre no controle. Ricardo Gondim discorda questionando como Deus no controle permitiu um Hitler, um Stalin. Justo por isso, Ele permitiu. Se eu discordar desta linha de pensamento, teria de discordar da Sua Palavra. Teria de aceitar que Deus foi "pego de surpresa". Finalizando, C. S. Lewis dizia que: "As minhas (suas) orações não mudam a Deus, mudam a mim (você) mesmo".

ôste echthros umôn gegona alêtheuôn umin? - Gl 4.16

Missão integral da Igreja 1 - por Robinson Cavalcanti

Este tem sido um ano particularmente significativo para a Fraternidade Teológica Latino-Americana (FTL): tivemos Consulta Continental em El Salvador, Nacional em São Paulo e Regional em Alagoas, e uma série de encontros em outros países. Entre a teologia da libertação e o neofundamentalismo, uma nova geração de pastores e líderes opta pela teologia da missão integral da Igreja. Isso foi perceptível, inclusive, na última Consulta do programa “Fé, Ética e Economia” do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), em Buenos Aires, sob o tema “Globalizando a Vida Plena”. Esses fatos apontam para o caráter bíblico e histórico, e para a relevância dessa corrente de pensamento, dentro do espírito e do Pacto de Lausanne: evangelismo, comunhão, sã doutrina, ação social, inculturação, profetismo e assim por diante.
Gostaríamos, porém, de destacar alguns desafios para a nova geração de cristãos holísticos, nestes tempos de globalização e de pós-modernidade.

O desafio do resgate e da atualização da história

René Padilla, um dos principais pensadores da FTL, nos falava recentemente da sua alegria com a atual revitalização, e que a sua principal preocupação era com o desconhecimento histórico, tanto em relação ao legado reformado quanto à caminhada do próprio movimento. Resgatar o passado é recuperar um conteúdo (fatos, autores, idéias, temas) que permite a sua atualização e a sua aplicação ao presente.

Por outro lado, vale ressaltar que, até certo ponto, a década de 90 foi uma espécie de “década perdida” para a nossa corrente, com a maioria dos seus seguidores inerte pelo medo da patrulha, da censura e da discriminação por parte dos neofundamentalistas, paralisando o possível e necessário trabalho teológico, pastoral e profético. Medo do emprego analítico de ferramentas da filosofia e das ciências humanas. Medo de enfrentar, em suas agendas, temas agora abordados pela nova geração: a nova ordem geopolítica e geoeconômica internacional, gênero, raça, sexualidade, inculturação, profetismo, sanidade, ideologias, ecologia, ética, estética, ontologia etc.

Uma identidade evangélica deve nascer desse processo, em contraste com os desvios, exageros, teorias e radicalismos da nossa época.


O desafio das questões internas da Igreja

A questão central dos nossos tempos é de natureza eclesiológica. O que é a Igreja? Qual a sua natureza? Qual a sua organização? Qual a sua missão? Como a Igreja se entendeu a si mesma nestes dois mil anos? Como resistir, com fidelidade e criatividade, às ondas de novidades, particularmente as de origem estrangeira? É necessário discutir estas e outras questões, como o personalismo de estrelas, caciques e “apóstolos”; o escandaloso e freqüente divisionismo de denominações e “ministérios”; a domesticação aos sistemas seculares de poder; a “prosperidade” e a “batalha espiritual” como negação da Reforma Protestante; a Igreja como comunidade terapêutica ou como comunidade patogênica (sectarismo, individualismo, legalismo). Terá a Igreja algum impacto sobre o século 21?

Continua...

Dom Robinson Cavalcanti é bispo da Diocese Anglicana do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política – teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo – desafios a uma fé engajada.
www.ieabrecife.com.br

Fonte: Ultimato

Ave Crux, Unica Spes!

O homem que tem o "? RAIO X DE DEUS?" em seus olhos


Clique na imagem para ampliá-la. Eu confesso que vi uma vez este homem "promovendo" milagres. Me deixou meio aturdido, talvez até pela sua forma nada ortodoxa, talvez pela ausência completa de palavra. Depois ele esteve em minha cidade "trazendo a existência" até brinco de ouro. Com o perdão do trocadilho: aí ele brincou... Raio x de Deus. Traga-me Kriptonita, por favor...

Ave Crux, Unica Spes! - Mais do que nunca, a única esperança é a cruz.

A Regeneração Precede a Fé. - por R.C. Sproul

Um dos momentos mais dramáticos em minha vida no tocante à formação da minha teologia ocorreu em uma sala de aula do seminário. Um de meus professores foi para o quadro-negro e escreveu estas palavras em letras bem destacadas: "A regeneração precede a fé."

Estas palavras foram um choque para o meu sistema. Eu tinha entrado no seminário crendo que a ação chave do homem para efetuar o seu renascimento era a fé. Eu pensava que precisávamos crer em Cristo primeiro para depois nascer de novo. Eu uso as palavras em ordem aqui por uma razão. Eu pensava em termos de passos que devem ser dados em certa seqüência. Eu tinha posto a fé no início. A minha ordem era algo como:

"Fé - renascimento - justificação"

Eu não tinha pensado no assunto com muita profundidade. Também não tinha escutado cuidadosamente as palavras de Jesus a Nicodemos. Presumi que embora eu fosse um pecador, uma pessoa nascida da carne e vivendo na carne, eu ainda tinha uma pequena ilha de retidão, um minúsculo depósito de poder espiritual restando dentro da minha alma que me permitisse responder ao Evangelho por mim mesmo. Talvez eu tenha sido confundido pelo ensino da igreja católica romana. Roma, e muitos outros ramos do cristianismo, sempre ensinou que a regeneração é pela graça; não pode acontecer sem a ajuda de Deus.

"O debate entre Roma e Lutero girou em torno deste único ponto. O debate era: A regeneração é um trabalho monergístico de Deus ou um trabalho de sinergístico que requer a cooperação entre o homem e Deus?"

Nenhum homem tem o poder de levantar-se da morte espiritual. A ajuda divina é necessária. Esta graça, de acordo com Roma, aparece na forma do que é chamado graça preveniente. "Preveniente" significa aquilo que vem de alguma outra coisa. Roma acrescenta a esta graça preveniente a exigência de que nós temos que “cooperar e consentir com isso” antes que ela possa tomar conta dos nossos corações.
Este conceito de cooperação é, na melhor hipótese, uma meia-verdade. Sim, a fé que nós exercitamos é nossa fé. Deus não executa o crer para nós. Quando eu respondo a Cristo, é minha resposta, minha fé, minha confiança que está sendo exercida. Porém, o problema é um pouco mais profundo. A pergunta ainda permanece: "Eu coopero com a graça de Deus antes de nascer de novo, ou a cooperação acontece depois?" Outro modo de fazer esta pergunta é perguntar se a regeneração é monergística ou sinergística. É operativa ou cooperativa? É eficaz ou dependente? Algumas destas palavras são termos teológicos que requerem alguma explicação adicional.

Uma obra monergística é uma obra produzida isoladamente, por uma pessoa. O prefixo mono significa um. A palavra erg refere-se a uma unidade de trabalho. Palavras como energia são construídas sobre esta raiz. Uma obra sinergística é aquela que envolve cooperação entre duas ou mais pessoas ou coisas. O prefixo sin - significa "junto com”. Estou elaborando esta distinção por uma razão. O debate entre Roma e Lutero girou em torno deste único ponto. O debate era: A regeneração é um trabalho monergístico de Deus ou um trabalho de sinergístico que requer a cooperação entre o homem e Deus? Quando meu professor escreveu que "A regeneração precede a fé" no quadro-negro, ele estava apoiando claramente a resposta monergística. Depois que uma pessoa é regenerada, é que ela coopera exercendo fé e confiança. Mas o primeiro passo é obra de Deus e de Deus somente.
A razão porque nós não cooperamos com a graça da regeneração antes que ela aja em nós e sobre nós é porque nós não temos como fazê-lo. Nós não temos como fazê-lo porque estamos espiritualmente mortos. Não temos como ajudar o Espírito santo na vivificação de nossas almas para a vida espiritual mais do que Lázaro podia ajudar a Jesus a elevá-lo dos mortos.

Enquanto eu relutava contra o argumento do Professor, fui pego de surpresa ao aprender que o ensino dele, que soava tão estranho, não era nenhuma novidade. Agostinho, Martinho Lutero, João Calvino, Jonathan Edwards, George Whitefield e até mesmo o grande teólogo medieval Tomás de Aquino ensinaram esta doutrina. Tomás de Aquino é o Doctor Angelicus da igreja católica romana 1. Durante séculos seu ensino teológico foi aceito como dogma oficial pela maioria dos católicos. Por isso ele era a última pessoa que eu esperava que sustentasse tal visão da regeneração. Entretanto Aquino insistia que a graça regeneradora é graça operativa, e não graça cooperativa. Aquino falou de graça preveniente, mas ele falou de uma graça que vem antes da fé, que é a regeneração.
Estes gigantes da história do cristianismo derivaram sua visão das Santas Escrituras. A frase chave na carta de Paulo aos Efésios é esta: "... e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, —pela graça sois salvos." (Ef. 2:5).

Aqui Paulo fixa o momento em que a regeneração acontece. Ela ocorre quando “nós estávamos mortos”. Com um único relâmpago de revelação apostólica todas as tentativas de conceder a iniciativa na regeneração ao homem são esmagadas. Portanto, homens mortos não cooperam com a graça. A menos que a regeneração aconteça primeiro, não há nenhuma possibilidade de fé.
Isso não é nada diferente do que Jesus disse a Nicodemos. A menos que um homem nasça de novo primeiro, ele não tem chance de ver ou de entrar no reino de Deus. Se acreditarmos que a fé precede a regeneração, então posicionamos o nosso pensamento e, portanto, a nós mesmos, em oposição direta não só aos gigantes da história cristã, mas também ao ensino de Paulo e até mesmo do nosso próprio Senhor.

"Com um único relâmpago de revelação apostólica todas as tentativas de conceder a iniciativa na regeneração ao homem são esmagadas."

fonte: P.S. Paulo

Ouça esta pequena pregação do sr Sproul. Para quem nunca leu nada escrito por ele (além do post acima - espero) vale muito a pena. O título da pregação é: Jesus O Único Caminho. Simples? Quem disse que a pregação do evangelho tem de ser extravagante?

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Ave Crux, Unica Spes!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Não temas, filho! Êxodo 20.20 - por Alberto M de Oliveira


“Respondeu Moisés ao povo: Não temais; Deus veio para vos provar e para que o seu temor esteja diante de vós, a fim de que não pequeis.” Êxodo 20.20.


O povo hebreu tinha recém saído do Egito. Apesar de testemunharam todas as maravilhas feitas por Deus, tais como: as dez pragas, o mar vermelho aberto, o maná, as cordonizes, as águas de Mara; o povo não temia a Deus. Tinham medo, mas não temor, o que difere bastante. E mesmo tendo saído do Egito, o Egito não “havia saído” (da mente) do povo. Deus começa a ordenar o povo com os mandamentos dados a Moisés. Através destes mandamentos, Deus mostra o seu amor para com o povo, tendo cuidado de ensiná-lo todas as coisas. Mandamentos para proteger o povo do pecado, das doenças, do paganismo e ensinar o convívio em comunidade. Servia também para fomentar o temor a Deus (respeito e obediência), que os cuidava como um Pai, ao invés de terem medo de Deus.


Por que não temer? 1 Porque Ele não quer o nosso medo, e sim o nosso amor e respeito; 2 Ele mostra como devemos segui-Lo; 4 Ele corrige quando estamos errados, para que possamos ser aperfeiçoados nEle.


Aplicação: O Egito, para nós hoje, é uma representação da escravidão da vida mundana. Quando abandonamos o Egito para termos uma vida íntima com Deus, acabamos guardando muito do “Egito” em nossa mente. Diante de um Deus Santo, ficamos com medo DELE ao invés de termos temor a ELE. Fomos adotados, mas essa filiação parece não ser bem aceita por nossa parte; temos medo de rejeição. É o que o psicólogo e teólogo Karl Kepler, diz em seu livro, falando que uma criança adotada dá mostra de se sentir aceita quando defende o seu espaço; bem como a tentativa de agradar reflete o medo da rejeição. Em nossa caminhada cristã enfrentamos muitos desafios. Alguns externos, porém outros internos. Às vezes ficamos amedrontados e com pavor de errarmos e sermos castigados. Para muitos, Deus está sempre pronto a castigar, só esperando um motivo. Não é assim. Observe Ezequiel 18.23: “Tenho eu algum prazer na morte do ímpio? diz o Senhor Deus. Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?” Isso gera o legalismo e o moralismo, numa tentativa herética de agradar a Deus “retribuindo” a salvação.


Deus é justo a Sua Palavra. Todos nós somos merecedores do Seu castigo. Mas reflita um pouco, se não merecíamos a Graça da salvação dada a nós por Deus através de Cristo, como deixaríamos de merecê-la? Deus não castiga Seus filhos, Ele prova, corrige e disciplina. Há diferença. O castigo é uma punição causada por um erro para cobrar o erro. Este castigo, Jesus recebeu por nós na cruz. Já a disciplina, tem o intuito de corrigir o erro e ensinar o caminho correto. Temos motivo para sermos gratos pela disciplina. Não temas, se alegre, pois se você já foi (ou está sendo) disciplinado, o Senhor lhe tem tratado como filho. “Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, nem te desanimes quando por Ele és repreendido; pois o Senhor corrige ao que ama, e açoita a todo o que recebe por filho. É para disciplina que sofreis; Deus vos trata como a filhos; pois qual é o filho a quem o pai não corrija? Na verdade, nenhuma correção parece no momento ser motivo de gozo, porém de tristeza; mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos que por ele têm sido exercitados.” Hebreus 12.5b-7, 11. Eu sou filho de Deus. Assim sendo, de quando em quando, sou disciplinado, colhendo as conseqüências de erros. Mas isso é demonstração de amor da parte do Senhor, pois sou fortalecido com o propósito de não mais errar, e poder auxiliar outros a este propósito.


Ave Crux, Unica Spes!

Neuroses Eclesiásticas 13 - por Karl Kepler

Mais um capítulo... Quem gostou dos excertos publicados, deve procurar o livro do pastor, teólogo e psicólogo Karl Kepler, chamado Neuroses Eclesiásticas e o Evangelho para Crentes. Acompanhe os posts antigos, pelos links abaixo, caso não lembre das últimas neuroses.

Pois nossa vida de crente se parece com a dessas crianças adotadas inseguras. Onde já se viu reclamar de Deus?! (e a igreja faz coro de ajudante de ordens: “em tudo dai graças!”). Quem se permite “ficar de mal” com Deus? Ou questionar alguma coisa que leu na Bíblia? Não estou falando que Deus erra, ou que é injusto ou coisa parecida: estou falando da liberdade dentro da nossa limitação, de podermos nos sentir seguros como filhos e filhas amados, que não serão açoitados se reclamarem ou discordarem de alguma coisa.

Qual é a mãe ou pai que nunca ouviu reclamação de seus filhos? Por isso há essa diferença entre as gerações: os adultos podem perfeitamente agüentar “ofensas” dos pequeninos, sem deixar de amá-los nem um pouquinho. Então, por que damos tanta seriedade a nossos sentimentos e palavras em relação a Deus? É porque temos medo; não estamos seguros de Seu amor em qualquer situação. Achamos (“sentimos”) que Ele nos ama quando somos bonzinhos. Mas se erramos...

Vale aqui uma explicação, pois há uma distinção complicada a fazer: Em todo o período anterior ao sacrifício de Cristo (e até hoje para os que não acreditam nele), a ira de Deus contra o pecado se revela de forma real, e inspira medo com muita propriedade - em última instância, o medo do fogo do inferno - exatamente o castigo do qual Jesus veio nos salvar. Mas agora não estamos falando exatamente disso. Há também um outro sentido de temor de Deus que permanece, e que poderia ser entendido como um respeito básico, e é positivo.

Como explica o rev. Ricardo Barbosa , trata-se de reconhecer o outro como alguém diferente e independente de mim, e configura a base necessária para haver um relacionamento. Tal como com outras pessoas, nossos pais, filhos, cônjuges, amigos: se não os respeitarmos como pessoa, não lhes daremos palavra nem direito a ser diferente, e não poderá haver intimidade de relacionamento.

Richard Rohr define o sentido bíblico do “temor do Senhor” como sendo simplesmente “ouvir com atenção”, prestar atenção no que Deus diz . Isso é positivo, e não causa neurose em ninguém. Mas em nosso meio, entre os filhos e filhas de Deus que crêem em Jesus, o temor continua sendo entendido no seu significado pré-cristão: medo que leva a obedecer cegamente. E isso faz bastante diferença - negativa - para a saúde emocional do cristão.

Pretendo explicar isso melhor na segunda parte do livro; por enquanto, vamos considerar como positivo o respeito para com Deus - que me leva a ouvi-lo com atenção, e negativo o que me leva a ter medo dele, e a guardar distância ou me esconder dele (como Adão e Eva logo após comerem o fruto proibido).


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Neuroses eclesiásticas 6
Neuroses eclesiásticas 7
Neuroses eclesiásticas 8
Neuroses eclesiásticas 9
Neuroses eclesiásticas 10
Neuroses Eclesiásticas 11
Neuroses Eclesiásticas 12

Karl Kepler, psicólogo, pastor e teólogo, via pavablog

Ave Crux, Unica Spes!

O cúmulo dos "atos proféticos" por Alberto Oliveira e redação Terra

Não é de hoje que os excessos em "Nome de Deus" são cometidos. Mas vamos combinar uma coisa, talvez, parafraseando Lula, nunca na história deste mundo são TANTOS cometidos. É óleo aqui, óleo ali; urina nos cantos da cidade; bíblias sendo enterradas; gente que: ruge, pia, uiva; passa por "corredores" de sal, corações, grutas de "milagres"; marchas; mapeamentos;compram "chaves" e agora a novidade - sequestro. Sim porque não basta mais dar "sete voltas" a pé em algum "ponto estratégico". Bom mesmo é dar sete voltas de avião. Já imaginou se a moda pega? Teve quem fizesse no Brasil, mas pagando e de helicóptero (veja essa e outras aqui: um, dois, três e quatro).

Diante do pragmatismo dos sinais, visto a operação dos mesmos pelos tele-neo-apóstolos e tele-missionários, e a multiplicação do "atos proféticos" pela massa evangélica "extravagante", duas frases do reformador Lutero soam como uma resposta bíblica, piedosa e contemporânea aos desvaneios do evangelicalismo moderno: "Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias"; e "Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para o que há de vir".

Um abandono herético tem sido aplicado as Sagradas Escrituras. Claro, há quem selecione um verso (as vezes, só a parte a ou b do verso), totalmente fora de seu contexto e use para "provar" sua pregação. Este caso é pior, porque se uns têm usado a criatividade livre criando coisas como "shampoos gospel", outros tem feito adulterado as Escrituras. Há alguns que podem ser chamados (com muito temor e tremor e uma dor profunda digo isto) de "cafetões do evangelho". São estes que têm prostituído a Palavra de Deus, dando interpretações amalucadas que justifiquem coisas como "transmissões de unção de prosperidade" ao custo de R$ 7,00 ou R$ 100,00 ou ainda R$ 900,00.

Uma necessidade urge nestes dias atuais: uma nova reforma. Há quem me chame de crítico.
Não posso criticar os de fora da igreja, segundo as Escrituras. Muito menos métodos, usos e outras coisas que são efêmeras e insignificantes. Mas quando alguém adultera a Palavra, apostatando da fé - EU CRITICO SIM! Um "grande" pregador de longa data, ao tentar se defender de seus abusos, contra-atacou seus críticos dizendo que estes (os críticos) não constróem nada. Eu sou um crítico! E como cristão, tem alguns exemplos que me dão liberdade para ser um crítico.

Vejamos quem mais criticou:
1 No AT, os profetas criticavam a postura do povo que afrontava a Deus;
2 João Batista criticou fortemente os religiosos de sua época;
3 todo o movimento filosófico, e sua contribuição a humanidade, têm como base o questionamento e a crítica;
4 Jesus também não aliviou o lado dos religiosos, usando para estes um duro discurso;
5 Os pais da igreja, através de crítica e apologética, formularam e defenderam os credos que norteiam a Ortodoxia na interpretação da bíblia até hoje;
6 A pré-reforma, foi baseada em crítica aos desvios da igreja romanista;
7 a reforma e sua sequência, também foi baseada na crítica aos romanistas e aos empolgados, embalados pelo Renascentismo, Iluminismo e a própria Reforma. Por isso, mais tarde, fomos chamados também de Protestantes.

Líderes, que já criticaram a Globo, o G12, a Renascer, o Bola, o Caio Fábio, entre outros, quando flagrados em apostasia, esquecem das telhas que quebraram dos vizinhos, e dizem que os críticos "não constróem". Daqui a pouco vão lembrar da falácia sobre: "tocar no ungido".

Deveriam lembrar o que as Escrituras dizem em 1Co 10.12: "
Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!". Eu tenho este verso guardado em meu coração. E se um dia tropeçar, sendo mostrado pelas Escrituras meu erro, tenho humildade suficiente para dizer que errei. Não posso ir contra a Palavra, sob nenhum argumento, pois sendo escravo de Cristo, conheço através das Escrituras Sua vontade para mim. Não posso ultrapassá-la. Escreveu Paulo:
"Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. Mas ainda que nós ou um anjo dos céus pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! Como já dissemos, agora repito: Se alguém lhes anuncia um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado!" Galátas 1.6-9.

Segue a notícia do "ato patético" conforme o Terra:

Boliviano é preso por sequestro no aeroporto de Cidade do México
O sequestrador de um avião de passageiros tomado nesta quarta-feira no México nasceu na Bolívia e disse estar em uma "missão divina", afirmou o ministro da Segurança mexicano, Genaro Garcia Luna, em uma entrevista coletiva.

De acordo com o Terra México, o sequestrador era um pastor boliviano que exigiu que o piloto desse sete voltas ao redor do aeroporto da Cidade do México. O homem disse que teve uma "revelação divina" e que as manobras evitariam um terremoto na região. Ele disse que a data de hoje, 09/09/09 influenciou o fato.

O sequestro do voo da Aeroméxico que ia de Cancun à Cidade do México terminou rapidamente depois que o avião pousou no aeroporto internacional da capital mexicana, seu destino original, e que a tripulação e todos os passageiros deixaram a aeronave ilesos.

fonte: Notícias Terra


Veja a notícia comentada no Genizah

Ave Crux, Unica Spes!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

D.A. Carson fala sobre Adoração - via Bom Caminho

dac002worship.jpg (13K) - Adoração Coletiva






Em uma era crescentemente desconfiada do pensamento (linear), há muito mais respeito pelos "sentimentos" em relação às coisas - seja um filme ou um culto da igreja. É perturbadoramente fácil fazer pesquisas sobre pessoas, especialmente pessoas jovens, migrando de igrejas com excelente pregação e ensino para alguma outra com música excelente porque, segundo é dito, há uma “melhor adoração” lá. Entretanto, precisamos pensar cuidadosamente sobre esse assunto. Vamos nos restringir, por enquanto, à adoração coletiva. Apesar de haver uma série de coisas que podem ser feitas para melhorar a adoração coletiva, há um sentido profundo em que a adoração de excelente qualidade simplesmente não pode ser obtida procurando-se adoração de excelente qualidade. Da mesma forma que, de acordo com Jesus, você não pode se encontrar até que você se perca, também você não pode achar adoração coletiva excelente até que você deixe de tentar achar adoração coletiva excelente e passe a procurar o próprio Deus. Apesar dos protestos, é de se perguntar se nós não estamos começando a adorar a adoração em lugar de adorar a Deus. Como um irmão certa vez colocou para mim, é algo parecido com aquelas pessoas que começam admirando o pôr-do-sol e logo começam a se admirar admirando o pôr-do-sol.

Este ponto é confirmado em uma música de louvor como “Esqueçamos de nós mesmos, exaltemos a Deus, e o adoremos". A dificuldade é que depois que você cantou este refrão repetidamente três ou quatro vezes, você não avançou nada. O modo com que você se esquece de você mesmo é focalizando em Deus - não é cantando sobre fazer isto, mas fazendo isto. É claro que também há muitas canções, cultos e sermões que ampliam nossa visão de Deus - seus atributos, suas obras, seu caráter, suas palavras. Alguns pensam que a adoração coletiva é boa porque está sendo viva quando poderia estar sendo sombria e tediosa. Mas ela também pode ser superficial quando está viva, deixando as pessoas descontentes e inquietas depois de alguns meses. Ovelhas deitam-se quando estão bem alimentadas (cf. Salmo 23:2); é mais provável que elas estejam inquietas quando estiverem com fome. "Alimente minhas ovelhas", Jesus ordenou a Pedro (João 21); e muitas ovelhas estão sem alimento. Se você deseja aprofundar a adoração do povo de Deus, acima de tudo aprofunde o entendimento dEle quanto à inefável majestade em Sua Pessoa e em Suas obras.

Nós não esperamos que um mecânico discorra longamente sobre as maravilhas das suas ferramentas; nós esperamos que ele conserte o carro. Ele tem que saber usar as suas ferramentas, mas não deve perder de vista o alvo. Assim nós não ousamos focar na mecânica da adoração coletiva, perdendo de vista nossa meta. Nós focamos no próprio Deus, e assim nos tornamos mais piedosos e aprendemos a adorar – e, como efeito colateral, também aprendemos a edificar uns aos outros, suportar uns aos outros e desafiar uns aos outros.

Fonte: http://www.challies.com/. O texto é extraído do novo livro de D.A. Carson - "Adoração através do Livro" - e reproduzido no blog do Challies via Bom Caminho

Ave Crux, Unica Spes!

Ela não quer sua pena. Quer sua ajuda.


Pastor pode se candidatar a cargo político?

O que vale em uma pregação?

O que você pensa sobre a função dos tele-evangelistas?

Você crê que é?

Não deixe de ler

  • z A BÍBLIA SAGRADA z
  • Watchman Nee – Autoridade Espiritual – O dano da Segunda Morte;
  • W. Walker - História da Igreja Cristã;
  • Tommy Tenney – Os Caçadores de Deus;
  • Timothy George - Teologia dos Reformadores;
  • Steve Gallagher – No Altar da Idolatria Sexual;
  • Shirley C. Guthrie - Sempre se Reformando;
  • S. H. Frodsham -“O Apóstolo da Fé” Smith Wigglesworth;
  • René Padilha, - Servindo Com os Pobres na América Latina;
  • Quem é Jesus Cristo para Nós Hoje - Jurgen Moltamann;
  • Phillip Keller - Nada me Faltará - O Salmo 23 à luz das experiências de um pastor de ovelhas;
  • Phillip Keller - Meditações de um leigo sobre o Bom Pastor e suas ovelhas
  • Paulo Romeiro - Super Crentes - O evangelho segundo Kenneth Hagin, Valnice Milhomens e os Profetas da Prosperidade
  • Nicky Cruz - Foge, Nicky, Foge!;
  • Merlin Carothers - Louvor Que Liberta;
  • Max Lucado - Simplesmente Como Jesus;
  • Madame Guyon- Autobiografia;
  • M.Lloyd Jones – Depressão Espiritual
  • M.Lloyd Jones - Pregação e Pregadores;
  • Julio Zabatieiro - Fundamentos da Teologia Prática;
  • John Piper - Deus é o Evangelho ;
  • John Piper - Em Busca de Deus - Teologia da Alegria;
  • John F. MacArthur - A Guerra Pela Verdade ;
  • John F. MacArthur - Com Vergonha do Evangelho;
  • Ir André – Desafiando os Limites da Fé;
  • H. Strohl - O Pensamento da Reforma;
  • Francis Schaeffer - A Vedadeira Espiritualidade;
  • Don Richardson - O Fator Melquisedeque
  • Dennis Kinlaw - Pregação no Espírito;
  • David Wilkerson - A Cruz e o Punhal;
  • D. L. Bock - Jesus Segundo as Escrituras;
  • Corrie Ten Boom - O Refúgio Secreto
  • Cláudio Rufino – Batalha Contra a Pornografia;
  • Ciro S. Zibordi - Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria
  • Ciro S. Zibordi - Erros que os Pregadores Devem Evitar ;
  • Charles H. Spurgeon - Como Ler a Bíblia;
  • Catherine Marshall - O Consolador;
  • C. Leonard Allen & Richard T. Hughes - Raízes da Restauração
  • Bob Sjogren & Gerald Robison - Teologia do cachorro e do gato
  • Augustus Nicodemus - O Que Estão Fazendo Com a Igreja;
  • Albert N. Martin - O Que é um Cristão Bíblico?;
  • A W Tozer - o Melhor de A W Tozer
  • A W Tozer - Esse Cristão Incrível
  • A W Tozer - Cinco Votos Para Obter Poder Espiritual
  • a A BÍBLIA SAGRADA a