sexta-feira, 30 de julho de 2010

Nossos Cultos São Verdadeiros? por Luiz Fernando R. de Souza


Ao observamos as eclesiologias e as liturgias em nossas igrejas, vemos uma total descaracterização. Aquilo que deveria ser direcionado para Deus e Sua glória exclusivamente foi totalmente travestido de um humanismo exacerbado. Deus que deveria ser o foco central do culto foi alijado do processo e virou nota de rodapé colocado na parte inferior das atividades. Deus virou pretexto para que o homem continue no centro. Deus é citado como apoio às práticas mundanas e capitalistas que permeiam a igreja. Há uma expressão que vem dos tempos da Reforma que diz: SOLI DEO GLÓRIA. Quer dizer: Glória somente a Deus. O insuperável Johann Sebastian Bach que revolucionou a música terminava todos os manuscritos de suas composições com as letras S.D.G. (Soli Deo Glória).

Isso nos mostra que tudo em nossas vidas deveria apontar para Deus. O culto é para Deus. Somente Deus merece receber a glória e isso implica que Ele deve ser o centro do culto. A Reforma resgatou essa máxima esquecida durante séculos. O culto não pode ser voltado para o homem. Não pode procurar satisfazer os desejos do homem e nem girar em torno dele. Mas vemos que o homem assumiu o lugar de Deus e passou a ser reverenciado. As pregações não apontam mais para o pecado que leva o homem a perdição e nem mais mostram a graça salvadora de Deus, mas sinalizam maneiras dos homens superarem suas crises.


Basta ver os títulos dos sermões pregados. Em uma rápida passagem de olhos pela internet encontrei alguns títulos interessantes, vejamos: “Vencendo as Batalhas; Tempo de Conquistas; Vivendo Triunfantemente, etc." Vejamos alguns títulos do Príncipe dos Pregadores Charles Haddon Spurgeon: “A Humilhante mas Gloriosa Dependência de Deus; O Terrível Porém da Justiça Própria, etc." Daí da para perceber a grande diferença.


As músicas não exaltam mais a Deus, mas sim se centram no homem e suas crises. Se observarmos as músicas evangélicas atuais veremos essa triste realidade. Músicas que mostram o que Deus fará pelo homem e não a expressão de uma alma agradecida a Deus. Existe até música de louvor dedicado a ser humano! Sei que existe este tipo de música religiosa entre os mórmons, mas para cristão... A quantidade de vezes que o pronome eu aparece nessas músicas é algo estarrecedor. Se compararmos com os grandes hinos da hinologia cristã veremos o contraste gritante.


O primeiro hino do Cantor Cristão diz: “A ti, ó Deus, fiel e bom Senhor. Eterno Pai, supremo Benfeitor, Nós, os teus servos, vimos dar louvor, Aleluia! Aleluia! O que dizer das catarses praticadas em nossos cultos? Gritos de vitória, brados de louvor, tudo isso produz alívio e não libertação. Qualquer psicólogo recém formado pode confirmar isso. Para tristeza nossa essas práticas espúrias entraram para ficar. O que dizer dos moveres de Deus nos cultos onde o frenesi se instala e o ego grupal prevalece, as pessoas rodopiam, gritam, caem ao chão, riem sem parar, imitam animais com seus sons e mais um cem números de outras bizarrices?


Muitos adentram as igrejas para buscar suas bençãos e encontram sacerdotes corroídos que oportunamente lhes oferecem as bênçãos, buscando satisfazer os egos eternamente insatisfeitos em troca de alguma coisa material. Muitos esqueceram que as reuniões solenes dos santos são para louvor e glória de Deus. Essas reuniões deveriam ter Deus e Sua glória em primeiro lugar. Nossos cânticos deveriam exaltar o nome que é sobre todo nome. Nossas orações deveriam expressar nossa gratidão Àquele que nos amou e morreu por nós. Hoje cantamos músicas desprovidas de adoração. Muitas dessas coisas cantadas em nossas igrejas expressam um antropocentrismo aviltante. Muitos acham que louvor é somente cantar qualquer coisa. Louvor também é expressão de nossa admiração em relação a Deus. Por estarmos admirados com a grandeza de Deus e com Seu amor expressamos isso adorando, louvando Sua pessoa.


Mas o culto mudou. Temos culto do Eliser. Vejam só que nome de culto! Acredito que seja um culto específico para arranjar namorado/companheiro. Quando é que um culto se presta a isso? Paralelamente temos o culto da Terapia do Amor onde os descasados estão à cata de um companheiro/a. Nada mais mundano que isso!


O que dizer dos cultos para empresários bem sucedidos e outros falidos juntamente com os desempregados à procura de empregos? Dêem outro nome a isso, menos culto. Isso causa náuseas em qualquer bom cidadão.


Ao entrarmos em nossas igrejas deveríamos lembrar a máxima de João Batista: “Importa que Ele cresça e que eu diminua”. Deveríamos lembrar o que o Senhor disse a Moisés: “Descalce os pés porque a terra é santa”.


Não gostaria de falar, mas me sinto constrangido a isso. E os famigerados cultos de libertação? O próprio nome do culto é uma contradição. Libertação para quem já foi liberto? Libertar o cristão se Cristo já realizou tudo no Calvário? O que tais pessoas entendem sobre as palavras de Cristo na cruz: Tudo está consumado?


Culto deveria ser expressão de nossa liberdade conquistada na cruz e nunca para buscarmos libertação. Culto deveria ser nossa celebração pela vitória alcançada na cruz e isso pela misteriosa, grandiosa e maravilhosa graça de Deus.


Precisamos de uma vez por todas fazer coro com os reformadores: SOLI DEO GLORIA.

Soli Deo Glória

Pr. Luiz Fernando R. de Souza


Recebido por email em betochurch


Ave Crux, Unica Spes!


17 comentários:

Karin disse...

Irmão, se o Senhor não intervir, não sei onde vamos parar!! Precisamos urgentemente de um avivamento! Hoje fica difícil ouvirmos "louvores", pq louvam pessoas, como escreveu, os cultos, louvam o bolso, a auto ajuda, a qualquer coisa, menos ao Senhor, a impressão que tenho é que ninguém mais está preocupado em ter o caráter de Cristo, o importante, é viver bem aqui na terra!! Que Deus possa achar em nós, uns dos "7 mil que não dobraram seus joelhos..".
Gostaria de permissão para colocar essa msg no meu blog! Soli Deo Gloria!!! Fique na paz!!

Alberto M. de Oliveira (Betochurch) disse...

Olá Karin.
Concordo com você. Mas se pensarmos bem, não há novidade. A bíblia nos alerta sobre estes desvios. E creio que o culto antropocêntrico já é em si um julgamento Divino.
Fique a vontade para replicar. Só não esqueça de dar o crédito ao autor (Luiz Fernando de Souza), pois recebi por email, de outro pastor e publiquei.
Abração.
Deus lhe bendiga!
Alberto

Willian Rochadel disse...

Aparentemente a internet que até poucos tempos seria "666", está se tornando numa preciosa ferramenta de alerta aos cristãos. Muitos textos já vem alertando da falsidade da vida com Cristo vivida, uma vida interesseira buscando os prazeres ainda aqui.
Neste texto foi perfeitamente esclarecedor a forma de abordagem e completa.
Se este era o desvio que estaria por fim, realmente é assustador, pois generalizou rapidamente.

Alberto M. de Oliveira (Betochurch) disse...

Interessante colocação Willian. É para se pensar...
Que prazer encontrá-lo por aqui.
Um abração!
Alberto

Claudio Silva disse...

Belo texto, repliquei em meu blog. Talvez o que esteja errado é o conceito de culto disperso através dos tempos. Nos preocupamos com a forma e não com o conteúdo e quando falo em conteúdo me refiro a vidas transformadas que querem se relacionar coletivamente com Deus e o seu irmão e desta forma se reúnem para cultuar a Deus.
Abraço fraterno!
Claudio
Charqueadas _RS

Heitor Alves disse...

Alberto,

O Blog dos Eleitos indicou seu blog como um dos melhores blogs cristãos calvinistas.

Abraços.

Anônimo disse...

Realmente a maioria dos cultos hj pode ser considerado uma palestra de auto-ajuda, tipo -diga ao seu irmão do lado.....- como se isso fosse definir a realidade. infelizmente poucos apontam "q no mundo tereis aflições", e o mais importante: a cruz e lâmpada q nos leva até ela, a saber o evangelho. Mas continuo crendo que muitos verdadeiramente se convertem, e a estes ninguem segura, o próprio Deus se incumbe de lhes achar um porto seguro.

Alberto M. de Oliveira (Betochurch) disse...

Olá Cláudio.
Fique a vontade, aliás, passei em seu blog e gostei muito; tornei-me seguidor.
Creio que o conceito de culto ruiu na percepção das pessoas em nossa cultura.
Em Teologia da Alegria, John Piper dá algumas perspectivas interessantes para se repensar o nosso culto e cultuar.
Abraços Cláudio - Deus lhe abençoe!
Alberto

Alberto M. de Oliveira (Betochurch) disse...

Obrigado pela honra Heitor. Significa muito para mim, em decorrência das lutas e do tempo que tenho disponível...
Soli Deo gloria!
Estou seguindo também seu blog e vou lhe indicar na lista de meus favoritos, com todo o mérito.
Um abração, Deus lhe bendiga!
Alberto Oliveira

Alberto M. de Oliveira (Betochurch) disse...

Anônimo, perfeito sua colocação. Inclusive, no próximo não temas, tocarei em certo aspecto deste assunto - "o vento sopra onde quer". É o Espírito Santo quem convence do pecado. Tanto arminianos quanto calvinistas concordam que é o Espírito quem convence os eleitos (divergem da forma da eleição). Sendo assim, aquele que realmente é chamado por Deus, inda que num destes galpões esquisitos chamados de igreja, onde prega-se e fala-se de tudo menos de Deus; não permanece ali por muito tempo. Logo, ele é guiado a uma congregação onde poderá ouvir mais sobre Deus e como relaqcionar-se com Ele.
Abração, Anônimo.
Deus que lhe conhece, o abençoe!
Alberto

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Graça e paz! Entendi o que o irmão quer dizer, mas creio que devemos sempre ponderar para que as reuniões das igrejas expressem também comunhão uns com os outros, haja oportunidade de ensino para todas as situações da vida (casamento, namoro, noivado, administração de negócios, enfrentamento de problemas de saúde, problemas emocionais, etc). O que não pode é Deus sair do centro das pregações, ficando no "rodapé" das atividades. Penso que uma mensagem que fale sobre dinheiro é importante para que crentes descubram sobre detalhamentos da vida no Reino de Deus. Claro que a mensagem não deve ser uma exaltação á prosperidade, mas sim o uso das finanças conforme a vontade de Deus. Talez o que estamos vendo hoje seja uma antítese de um fraco relacionamento que se experimentou em décadas anteriores dentro das igrejas e daí o surgimento das "teologias de prosperidade", o "evangelho de auto-ajuda" e coisas semelhantes. Ainda assim, sinto que nas igrejas que aplicam tais distorsões parece lhes faltar comunhão, pois às vezes o frequentador é tratado mais como um consumidor do que como um irmão. Que Cristo ajude sua Igreja a trilhar o caminho certo e voltar sempre ao Evangelho! 'Soli Deo Glória'!

Alberto M. de Oliveira (Betochurch) disse...

Olá Rodrigo. Pois é, meu irmão, como vc afirmou, é importante todos os assuntos concernentes a vida cristã; mas sob uma abordagem cristocêntrica - que como vc mesmo disse, tem sido escassa. Esse é o nosso intuito: chamar a igreja a voltar a trilhar o caminho certo.
Concordo com vc em gênero, número e grau - e agradeço sua participação.
Abração, Deus lhe abençoe!
Alberto

Clodoaldo Brunet disse...

É confortante saber que há pessoas sensatas em nosso meio, há um grupo pequeno que está entre aqueles que não dobraram seus joelhos a Baal.
Que Deus te conceda sempre da sua graça para manter o seu pequenino rebanho em fidelidade.
Também sábias as palavras do Alberto que afirma: " O culto antropocêntrico já é em sí um julgamento divino"

Alberto M. de Oliveira (Betochurch) disse...

Obrigado pela visita Clodoaldo. Deus o abençoe, e seja sempre bem vindo.
Que Deus nos ajude a sermos verdadeiros em todo o nosso culto (estilo de vida)...
Abraços.
Alberto

Futebol e Humanidades disse...

Achei seu texto por acaso. Se queres um feedback, reveja sua posição lendo o que os teólogos reformados dizem sobre o culto. Culto não é para Deus. Antes é Serviço de Deus ao povo. Se não quiser estudar muito, basta ler um livro que talvez te ajude: Grandes temas da tradição reformada.
Um abraço.

Alberto M. de Oliveira (Betochurch) disse...

Olá sr "Futebol e Humanidades".
Agradeço sua participação.
Assim como também sua sugestão, mas, não tenho de rever nada em minha posição. Mesmo porque, creio que vc nem sabe qual é; assim sendo, não procede seu desejo de que eu a reveja.

Digo isso, não por medo de "estudar muito" - aliás, sinceramente, não entendi o tom do palavreado em seu comentário, mas vá lá...

Tenho o livro que você citou, aliás é ótimo.
Todo o capítulo chamado "Dimensões litúrgicas" é excelente.

Mas, se por acaso, ou sem procurar muito você tivesse notado, o texto não é de minha autoria, e o post é de 18 meses atrás. Muita água rolou debaixo de minha ponte teológica. Como o já diz o nome de meu blog, tenho voltado muito as fontes, e as verdades preciosas, garimpando a história reformada, comparando seus escritos com as Escrituras e isso tem sido muito bom para minha vida, e de da igreja a qual congrego.

Mas então por que publiquei este post?
Porque gostei da postura do pr. Luiz - ainda mais da perspectiva a qual ele escreve. Prefiro, a modo de não ser tão parcial, publicar críticas de quem está dentro do evento. Desta forma, ao invés de só publicar um tratado reformado sobre um erro pentecostal (por exemplo), gosto também, quando possível, de pegar um texto de um pentecostal que condene os excessos em seu próprio meio.

Desta forma, em meu blog, acabo dando um pouco de espaço para outros falarem, e poderem dialogar.

Sugiro que você possa indicar alguma literatura ao autor do texto, para lhe dar uma perspectiva reformada da adoração.

Ou talvez, publicar algo, de conteúdo reformado, sobre o tema discutido, em seu próprio blog.

Novamente agradeço sua participação; reafirmo que não entendi o seu tom; assim como a falta de sensibilidade para detalhes supracitados.

Um abraço!
Alberto

Jeison Ebert disse...

Senhor "Futebol e Humanidades", dê uma lida na bibliografia do blogueiro, mais abaixo no blog. Você encontrará o livro que indicou e muitos outros "reformados" que talvez você indicaria ou quem sabe nem conheça... o autor do blog lê e estuda muito sim, e por isso mesmo não engole um pacote fechado...

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