terça-feira, 9 de agosto de 2011

Aprendendo com o Breve Catecismo de Westminster 3

Breve Catecismo de Westminster.

Pergunta 3 – Qual é a coisa principal que as Escrituras ensinam?
Resposta: As Escrituras principalmente nos ensinam sobre o que o homem deve crer acerca de Deus e o que Deus requer do homem.

Referências Bíblicas (NVI): 

Miquéias 6.8 - Ele mostrou (declarou - ACF) a você, ó homem, o que é bom e o que o Senhor exige (pede - ACF): (nada mais do que – BJ) Pratique a justiça, ame a fidelidade e ande humildemente (e te sujeites a caminhar – BJ) com o seu Deus (A ACF traz a sentença como uma pergunta e a BJ (Bíblia Jerusalém) como uma exclamação).
João 20.31 - Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, tenham vida em seu nome.
João 3.16 - Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
Retenha, com fé e amor em Cristo Jesus, o modelo da sã doutrina que você ouviu de mim. 2Timóteo 1.13. A ACF traduz assim: Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus.

Reflexão:
A importância que o Catecismo dá a Escritura é óbvia – sua base está na aceitação da Bíblia como Palavra de Deus.

Interessante a ênfase em principal. A Bíblia trata de vários assuntos, todos verdades absolutas e todos importantes, mas, tem um tema principal – o que é necessário para a salvação. Daí se entende que muitas discussões tolas poderiam ser evitadas; bem como outras deveriam surgir – sobre este ponto: salvação – o que devemos crer e o que devemos fazer depois de crer.

A ordem clara da Escritura é vista também no Catecismo: “o alicerce da fé: ‘Eu Sou o Senhor teu Deus’ foi apresentado na Lei antes que Deus apresentasse a seu povo os Mandamentos” – Horn, p.11. “Cita-se crer antes de dever porque na vida cristã, assim como no mundo natural, a raiz deve vir antes do fruto” – Geerbardus Vos, p. 44. Portanto, é bom que primeiro saibamos realmente quem é Deus; depois de visualizá-Lo corretamente será fácil ver-nos como miseráveis pecadores; assim a necessidade do Redentor é urgente; e depois de perdoado os pecados, encontramos nas Escrituras a base da vontade de Deus para vivermos uma vida santa e de louvor conforme Seu padrão.

Devemos lutar contra chavões do tipo: “nenhum credo senão Cristo” ou “o cristianismo não é doutrina, mas vida”. Um credo bíblico é uma doutrina que nunca está em oposição ou é excludente à pessoa de Cristo. Pelo contrário! Mesmo que libertinos antidoutrinais se contorçam, o cristianismo bíblico é um sistema de doutrinas. “O correto seria dizer: ‘o cristianismo não é só doutrina, é também vida’” – Geerbardus Vos, p. 44. 

Como ponderei em outro lugar, urge entendermos que o evangelho não é para ser vivido – como se tivesse uma mecânica própria: “A Bíblia é enfática, pois nos manda ‘crer no evangelho e obedecer a Lei’. Deus dá o Seu favor no crer e Sua direção no obedecer”. Portanto é ilógico tentar obedecer (viver) um padrão que não se conhece; da mesma forma que apenas conhecer sem viver não é muito lógico. Devemos saber dar a razão da nossa fé e vivê-la de maneira tal que condiga com nossa crença. O antiintelectualismo nos arraiais evangélicos é um desserviço ao Reino de Deus e uma incubadora de heresias e blasfêmias, que por consequência é matriz de apóstatas. 

Importa o que cremos? Lógico! É só ver o estrago que causa a pregação dos “gezuiz” modernos: ora inclusivista, ora platônico, ora um mercadejador de bênção, ora “apenas” um modelo de conduta, ora um mito, ora um revolucionário, e assim por diante. Se não crermos em Cristo como as Escrituras O mostram, não cremos verdadeiramente em Cristo, mas em um espantalho segundo nossa imagem, semelhança e preferência. Isso é idolatria! Conforme Jesus declarou: Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre (Jo 7.38). Há um rio de vida em correndo em você? Ou há um ídolo insosso e não confrontador, pronto a “lhe abençoar” por uns trocados, sacrifícios ou palavras de ordem?

Jesus foi pontual ao sintetizar a Lei desta forma (e não escolher um mandamento principal como desejava seu interlocutor): Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo – Mateus 22.37-39. Daí compreendemos que o entendimento, ou seja, a mente da pessoa é importante – logo o que cremos é importante para Cristo. Portanto devemos crer para podermos obedecer; o que consequentemente irá refletir em nossa vida com relação ao próximo e ao amor que este entendimento (do que cremos) nos ordena, sendo dever obedecermos. 

Lembre-se: desconhecer a Escritura é desconhecer a Deus, e “desconhecer a Deus é desconhecer Sua vontade revelada nas Escrituras” (1).

Questões que devem motivar uma reflexão:
 
Conhecemos o que as Escrituras nos ensinam?
Cremos no que as Escrituras nos ordenam crer a respeito de Deus?
Cremos que devemos obediência Àquele que através dela Se revela a nós, o Deus absoluto?
Temos unido doutrina e vida?
Como podemos conhecer verdadeiramente o que a Bíblia ensina? Podemos deixar de empregar tempo em estudá-la para ir ao campo subjetivo de vivê-la sem conhecê-la?
Como podemos motivar outros irmãos a conhecer a principal coisa que as Escrituras ensinam?

Busquemos conhecer nosso senhor e Salvador, conforme Ele se revelou nas páginas das Escrituras. Ele julgou tudo o que deveríamos saber dEle em nossa peregrinação, e deixou tudo escrito para podermos crer nEle. Busquemos conhecer o que Ele exige de nós, e que nos deixou registrado na Bíblia. Não sejamos culpados de negligência muito menos de idolatria.


Fonte: (1) Os editores em Confissão de Fé de Westminster Comentada por A. A. Hodge – Editora Puritanos, p. 3; HORN, Leonard, T. Van – Estudos No Breve Catecismo De Westminster – Ed. Puritanos; 
Catecismo Maior de Westminster Comentado por Johannes Geerbardus Vos – Ed. Puritanos; 
Catecismo Maior de Westminster – Ed. Cultura Cristã; 
Bíblia de Jerusalém – Paulus.

Ave Crux, Unica Spes!

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