Pergunta 4 – Quem é Deus?
Resposta: Deus é espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser; sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade.
Resposta: Deus é espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser; sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade.
Referências Bíblicas (NVI):
João 4.24 - Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.
Malaquias 3.6 - De fato, eu, o Senhor, não mudo. Por isso vocês, descendentes de Jacó, não foram destruídos.
Salmos 147.5 - Grande é o nosso Soberano e tremendo é o seu poder; é impossível medir o seu entendimento.
Apocalipse 19.6 - Então ouvi algo semelhante ao som de uma grande multidão, como o estrondo de muitas águas e fortes trovões, que bradava: "Aleluia! pois reina o Senhor, o nosso Deus, o Todo-poderoso.
Isaías 57.15 - Pois assim diz o Alto e Sublime, que vive para sempre, e cujo nome é santo: "Habito num lugar alto e santo, mas habito também com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito do humilde e novo alento ao coração do contrito...”
Deuteronômio 32.4 - Ele é a Rocha, as suas obras são perfeitas, e todos os seus caminhos são justos. É Deus fiel, que não comete erros; justo e reto ele é.
Romanos 2.4 - Ou será que você despreza as riquezas da sua bondade, tolerância e paciência, não reconhecendo que a bondade de Deus o leva ao arrependimento?
Salmos 117.2 - Porque imenso é o seu amor leal por nós, e a fidelidade do Senhor dura para sempre. Aleluia!
Reflexão:
Esta questão é de suma importância a todos nós, principalmente no contexto atual, onde, o conhecimento e a imagem de Deus têm sido aguados, modelados segundo a concupiscência dos ímpios infiltrados na Igreja e relativizado por ciência e teologia espúria.
O Catecismo faz uma lista de atributos comunicáveis e incomunicáveis de Deus. Os primeiros podem ser encontrados em “algum grau, no ser humano” (1); incutidos pelo Senhor. Já os segundos são intransferíveis, encontrados somente em Deus. Boice (2) nos ensina que: “é evidente que precisamos de mais do que um conhecimento teórico sobre Deus. Mas, podemos conhecê-lo apenas quando Ele se revela a nós nas Escrituras”.
Encontramos em Hebreus 11.6: “Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam”. Salmos 9.10 afirma que: “Os que conhecem o teu nome confiam em ti”. Watson comenta que: “Um homem não pode crer sem conhecer, assim como o olho não pode ver sem a luz” (3).
Tudo está submisso à compreensão correta das Escrituras. Como ensina Calvino: “é notório que o homem jamais chega ao puro conhecimento de si mesmo até que antes haja contemplado a face de Deus, e da visão dele desça a examinar a si próprio” (4). Mais a frente ele nos ensina que nossa mente não consegue descobrir quem é Deus sem render-Lhe algum culto, e que tudo advém dEle, de forma que: “se não estamos persuadidos de que Ele é a fonte de todo o bem, para que nada busquemos de outra parte senão nEle” (5); acabaremos formando “outro” deus – a nossa imagem e semelhança.
Conforme vimos na questão 1, nosso fim é glorificar e gozar a Deus. Como? Pergunta 2, da maneira que Ele deixou registrado em Suas Escrituras – como regras invioláveis. O que as Escrituras ensinam? Pergunta 3 – o que o homem deve crer acerca de Deus e o que Ele requer do homem. Portanto, passemos agora ao que a Bíblia diz acerca de Deus – para assim podermos entender e obedecer ao que Ele requer de nós. Talvez nos demoremos um pouco nesta questão, mas, no decorrer das proposições, veremos a quão profundamente esta indagação nos leva: Quem é Deus segundo as Escrituras?
Primeira coisa: Deus é espírito. O que é ser espírito? É ser de uma substância totalmente pura – sem misturas (como o homem, corpo e alma), assim como ser incorpóreo, ou seja, sem membros ou partes de um corpo; e “por isso, não está ancorado em uma moldura espaço-tempo” (6). “Ele não tem extensão, não é sólido nem divisível, como se fosse uma rocha, uma árvore ou um corpo humano; no entanto, Ele pensa e tem vontade própria, e isso livre de qualquer imperfeição” (7), ou coerção. Mas Deus não apenas é espírito, é espírito não criado – ou seja, criador. Não tendo sido criado, não pode também ser extinto. Anjos são espíritos e podem ser extintos. Ser co-participantes da natureza divina é sermos transformados por Seu Espírito. O que não quer dizer que temos união com a essência da natureza divina, como afirmam alguns. A alma do homem é um espírito, que na morte volta a Deus (Ec 12.7). Somente em Cristo, podemos ver a Deus (Cl 1.15 e Jo 14.9).
Desta forma, Deus não pode ser atingido por satanás, muito menos pelo ímpio. Os antropomorfismos (membros e órgãos) e antropopatismos (ações e emoções) das Escrituras com relação a Deus são figuras para que possamos entender o agir de Deus; “são, assim, símbolos poéticos ou, mais particularmente, metáforas para os atributos divinos que, de outra forma, seriam indescritíveis” (8); pois “não dispomos de vocábulos mais apropriados do que esses para exprimir as operações da mente divina” (9). “Os teólogos expressam isso dizendo que Deus é impassível e insensível, porém aquilo que Ele sente, tanto o que Ele faz, é uma questão de sua própria escolha deliberada e voluntária e está incluída na unidade do Seu ser infinito. Deus jamais é nossa vítima no sentido de que O fazemos sofrer naquilo que Ele não tinha previamente escolhido sofrer” (10). Mesmo porque tudo o que acontece está debaixo de Seu decreto absoluto e inalterável. Assim, entendemos os abundantes textos que expressam os sentimentos de Deus.
Deus não pode ser adorado através de imagens – pois como representar Aquele que não se vê (Dt 4.12)? Assim, frases como quero Te ver, Te tocar, Te abraçar – mesmo sob licença poética – deveriam ser evitadas. Adorá-Lo em espírito e em verdade é então adorá-Lo de uma forma pura, sem cerimônias. Packer ensina que “em espírito” significa adorar com um coração renovado pelo Espírito Santo, e acrescenta: “Nem rituais, nem movimento de corpo ou formalidades devocionais constituem adoração” (11). “Se não podemos usar aquelas cerimônias judias que Deus uma vez determinou (Hb 9.10), então não podemos usar aquelas que Ele nunca determinou... Não é a pompa da adoração que Deus aceita, mas a pureza” (12). Adorar em verdade “significa ‘com base na revelação da realidade de Deus, que culmina na Palavra encarnada, Jesus Cristo’” (13); ou seja, a adoração em verdade é em Cristo e por Cristo.
Segunda: Ele é Infinito, ou Onipresente. Deus está presente em todos os lugares, “não devemos, porém, imaginá-Lo ocupando espaços, porque Ele não tem dimensões físicas” (14) – a doutrina de Seu Espírito puro permeando todas as coisas integralmente chama-se imanência; e deve gerar em nós tanto consolo quanto temor. Lloyd-Jones afirmou certa feita que: “Esta é a coisa fundamental, a mais séria de todas: que estamos sempre na presença de Deus”. Mas não apenas nós, tudo está. “Seu centro é em todos os lugares. Agostinho disse assim: ‘o ser de Deus não é confinado ou excluído de qualquer lugar’” (15). Desta forma, um lugar profano não pode ser literal, pois é uma contradição do termo Onipresente. Até no inferno Deus se mostra presente – e não apenas através de Sua justiça executando Seu julgamento. “Não podemos dizer que uma porção se Sua essência está aqui e outra está lá” (16). Dagg continua ensinando que se isso fosse possível, Deus estaria dividido com apenas uma ínfima porção de Seu ser imensurável – em cada lugar. Assim, contrariando as Escrituras (Pv 15.3 e 1Pe 3.12), Deus estaria dividido; e, por exemplo, “não seria a Deidade inteira que conheceria as nossas ações e que ouviria nossos pedidos” (17).
Desta forma Deus não está limitado ao espaço. Assim, não nos cabe limitar Deus, nem em Sua presença nem em Suas ações e métodos. Diz à poesia que Ele é grande demais para caber no mundo e pequeno o suficiente para estar em nosso coração. As Escrituras afirmam que “o céu é Seu trono” (Is 61.1); da mesma forma que faz um trono no coração “contrito e humilde de espírito” (Is 57.15). Esta doutrina tem dois aspectos: é alegria ao cristão e desespero ao ímpio. Pois o cristão confia e sabe que Seu Senhor e Salvador está em todos os lugares, guardando-o. Já o ímpio enxerga a certeza que Deus, o seu inimigo, está em todos os lugares, sendo impossível escapar de Seu julgamento.
Urge ao cristão duas aplicações. Primeiro: busca por comunhão, pois ele pode andar com Deus. Aquele que tem Seu trono nos céus tem Seus pés apoiados na terra (Is 66.1). Assim, “Para onde poderia fugir da tua presença?” (Sl 139.7); temos a certeza que em todos os momentos, o Deus forte estará conosco, integralmente, ou seja, com a plenitude de Seu poder e atenção, e nos auxiliará com Sua graça em nossas fraquezas. Segundo: busca de santidade, pois não há como pecar escondido de Deus. Se estivéssemos diante da presidente Dilma, 24 horas, estaríamos zelando por nosso comportamento. Como é que podemos zelar menos, estando diante do Criador do Universo? “A consideração da onisciência de Deus previne muitos pecados” (18).
Sejamos sinceros diante dAquele que é Onisciente e Eterno. Nossas tentativas de justificação afastam a justificação feita e dada gratuitamente por Cristo. “O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração” (1Sm 16.7). “O homem julga o coração pelas ações, Deus julga as ações pelo coração... Deus é onisciente e Seu olhar enxerga o coração? Use o cinto da verdade sobre você e nunca o tire” (19).
Terceira: Deus é o Único Ser eterno. “Que tudo teve início – exceto a pessoa de Deus, é óbvio – é uma doutrina que faz parte da revelação da Bíblia: ‘No princípio criou Deus os céus e a terra’” (20). Já vimos nas palavras de Packer, que Deus não está limitado no espaço-tempo. Vimos também que Ele está em todos os lugares, plenamente e em Sua plenitude. Devemos progredir agora com o fato que além de estar em todos os lugares, para Deus “não há o ‘momento presente’ no qual ele esteja contido, como nós estamos” (21). Isso significa dizer que, Deus, transcendente à Sua obra, observa todo o tempo como uma régua à Sua frente. Nossa vida então está totalmente diante dEle – sempre; passado presente e futuro. Assim, entendemos que “A existência de Deus consista em um perpétuo ‘agora’” (22). “Mostra-me, Senhor, o fim da minha vida e o número dos meus dias, para que eu saiba quão frágil sou. Deste aos meus dias o comprimento de um palmo; a duração da minha vida é nada diante de ti. De fato, o homem não passa de um sopro” (Salmos 39. 4-5).
Nossa alma é imortal, mas foi criada. Ele não tem princípio, nem fim, Ele é: “o Alfa e o Ômega", diz o Senhor Deus, "o que é, o que era e o que há de vir, o Todo-poderoso (Ap 1.8). Isso é importante porque: “e a fumaça do tormento de tais pessoas sobe para todo o sempre “ (Ap 14.11). Ou seja, “Ele vive para sempre e pelo tempo que viver punirá o condenado... Se ao final de todo esse tempo, o pecador pudesse sair do inferno, haveria alguma esperança, mas a palavra ‘sempre’ quebra o coração” (23). E também porque a glória prometida durará o tempo em que existir Aquele que nos salvou e nos prometeu uma coroa que não se desfaz (1Pe 5.4). Desta forma, pensar na eternidade de Deus é um bom antídoto contra as armadilhas do pecado. “O pecado cometido é tão doce a ponto de sofrermos o inferno amargo para sempre?” (24). Pensemos na brevidade da vida, e na eternidade, que pode ser separada ou junta com o Criador.
continua...
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Questões que devem motivar uma reflexão:
Temos oferecido um culto em espírito e em verdade?
Estamos zelando para não oferecer “fogo estranho” ao Senhor?
Temos lembrado de que não podemos nos afastar da presença divina? Até quando pecamos?
Confiamos nesta onipresença nos momentos de dor?
Temos sidos sinceros com Deus, ou até Ele – e a nós mesmos, temos tentado enganar?
Entendemos a Sua eternidade?
O que ela significa para a condenação e salvação?
Busquemos conhecer e adorar a Deus em espírito e em verdade; ou seja, em sinceridade e pureza. Tenhamos esperança e temor diante de Sua Onipresença, pois Ele está conosco sempre. Não O limitemos, mas limitemos nossa estultice em olvidar que estamos diante do Juiz eterno. Confiemos que Ele pode manifestar graça onde achamos impossível – inclusive a nós mesmos. Lembremos que o que ocorreu há mil anos é como o agora para o Senhor; assim como o futuro. Desta forma, encaremos com temor a condenação e com esperança a salvação prometida.
Fonte:
(1) HORN, Leonard, T. Van – Estudos No Breve Catecismo De Westminster – Ed. Puritanos, p. 13;
(2) BOICE James Montgomery – Fundamentos da Fé Cristã – Um manual de teologia ao alcance de todos – Editora Central Gospel, p. 89;
(3) WATSON, Thomas – A Fé Cristã - Estudos baseados no Breve Catecismo de Westminster – Editora Cultura Cristã, p. 77;
(4) CALVINO, John – Institutas da Religião Cristã – Editora Cultura Cristã, p. 42;
(5) Idem, p. 44;
(6) PACKER, James Innell – Teologia Concisa – Editora Cultura Cristã, p.35;
(7) DAGG, John L. – Manual de Teologia – Editora Fiel, p. 41;
(8) FERGUSON, Sinclair B.; WRIGHT David F. & PACKER, James Innell – Novo Dicionário de Teologia – Editora Hagnos, p. 75;
(9) DAGG, op. cit., p. 42;
(10) PACKER, op. cit., p.36;
(11) Idem, p. 36;
(12) WATSON, op. cit., p. 68;
(13) PACKER, op. cit., p.36;
(14) Idem, p. 41;
(15) WATSON, op. cit., p. 69;
(16) DAGG, op. cit., p. 44;
(17) Idem, p. 44-45;
(18) WATSON, op. cit., p. 78;
(19) Idem, p. 79;
(20) DAGG, op. cit., p. 47;
(21) PACKER, op. cit., p.35;
(22) DAGG, op. cit., p. 48;
(23) WATSON, op. cit., p. 82-83;
Ave Crux, Unica Spes!

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